Certa vez, disse o Buddha uma parábola: Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.
"Que delícia!", ele disse.
Alguém tem idéia do que essa parábola significa?
sábado, 22 de agosto de 2009
Uma parábola de Buda
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Uma xícara de Chá
Nan-In, um mestre japonês da era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre o Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio! Não percebe que não cabe mais chá?"
"Como esta xícara" Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Entender o Zen
Antes de entendermos o Zen, as montanhas são montanhas e os rios são rios;
Ao nos esforçarmos para entender o Zen, as montanhas deixam de ser montanhas e os rios deixam de ser rios;
Quando finalmente entendemos o Zen, as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
um dedo apontando o caminho
Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo,
Não deves afirmar ou negar nada.
Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade,
E o que quer que seja negado não é verdadeiro.
Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser
Enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?
E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma Região
Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?
Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio,
Silêncio – e um dedo apontando o Caminho.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Tenhais confiança
"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um deus vos inspirou.
Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida."
Gautama Buddha - Kalama Sutra
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O mestre agnóstico
Há uma estória indiana de um homem que era um ateu e agnóstico, um raríssimo tipo de postura na Índia. Ele era uma pessoa que desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da direta experiência da Verdade.
Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir a seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre seus princípios. Após algum tempo eles começaram a se juntar antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos.
Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre agnóstico. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeitosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Em uma mesa especial a imagem do mestre era mostrada em uma moldura de ouro, e as pessoas deixavam flores e incenso lá, em respeito ao mestre.
Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava freqüentemente a pessoa a se iludir no caminho da Verdade.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O Céu, o Inferno e a Montanha Russa
Acho que em todas as religiões podemos encontrar descrições de Paraísos e Infernos, onde somos levados após a morte. Alguns tem níveis, demônios, anjos... mas eu fiquei realmente encantado com a visão do zen budismo sobre o assunto.
Existe uma parábola zen onde um samurai muito leal tinha acabado de sair de uma guerra. Ele confrontava a morte em muitas batalhas, e não sentia medo. Porém, ele não sabia como encontrar as portas que levam ao Paraíso, para não escolher as que levam ao Inferno quando morresse. Então disseram que havia um monge muito sábio que poderia lhe dar a resposta. Ele foi até o monastério, subiu as escadarias e deu de cara com o tal monge, que estava meditando. Perguntou a ele então: “Como posso encontrar as portas que levam ao Paraíso e as portas que levam ao Inferno?” O monge respirou fundo, então disse: “um mendigo ignorante como você jamais entenderia tal coisa.”
Ora, que petulância! Aquele monge tinha ofendido o samurai profundamente. Cheio de raiva, ele sacou a espada, e estava prestes a decapitar o monge. Porém o monge nem ao menos se moveu. Quando a lâmina estava próxima de sua garganta, ele disse: “Estes são os portais do Inferno”. Conforme disse isso, o samurai voltou a si, e toda a raiva se foi. Então ele embainhou novamente a espada. “Estes”, disse o monge, “São os portais do Paraíso”.
O que essa bonita história quer dizer é que existe um Paraíso e um Inferno dentro de nós. As religiões dizem que se pecarmos iremos para o Inferno, mas eu acredito que isso acontece muito mais rápido – quando pecamos, já estamos no Inferno.
Por quê? Porque quando agimos como o samurai, tomado pela raiva, perdemos nossa liberdade - não era o samurai, mas a raiva que agia. Isso é o Inferno. E não é somente a raiva que nos tira a liberdade. O desejo é que vive nas pessoas que passam suas vidas perseguindo dinheiro, fama e mulheres(homens) para poder dizer que "estão felizes". Mas elas nunca estarão felizes, porque essas coisas não trazem a felicidade - elas só podem ser usufruídas por quem já a possui.
Segundo o Dalai Lama, a verdadeira felicidade é a paz de espírito. E eu concordo com ele. Um homem pode ter tudo e ser miserável, ter nada e ser pleno. Nossa vida é uma montanha russa de emoções, se você parar para reparar: num momento estamos calmos, então alguém nos ofende e estamos com raiva; noutro vemos algo e ficamos cheios de desejo. Em outro ainda estamos com quem amamos e estamos bem; depois estamos sozinhos e estamos mal. Estamos sempre buscando momentos de alegria e prazer, e evitando a dor. Mas mesmo fazendo isso, não encontramos felicidade – porque a felicidade é diferente da alegria. Enquanto a alegria dura pouco e é intensa, a felicidade é constante. Uma pessoa pode estar alegre ou triste, é passageiro; Uma pessoa é ou não é feliz. Sendo assim, uma pessoa feliz pode estar triste. A tristeza e a dor são partes da vida, e são tão passageiras quanto a alegria e o prazer.
E esse estado constante de felicidade, essa paz interior, é o Paraíso. Muitos acham estranho aqueles que largam tudo e se dedicam a Deus, mas para quem compreende isso é algo normal. Quem conhece essa felicidade descobriu um tesouro, e esse tesouro é maior que tudo. O homem comum acha isso um absurdo...
A paz de espírito sempre foi o objetivo das religiões, mas ela não está em nenhuma igreja nem credo que você procurar. O único lugar onde pode ser encontrada é dentro de você ;)
Até mais, andarilhos!
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Iluminação
Não importa o que fizer, faça-o com profunda percepção, pois então até mesmo as pequenas coisas se tornarão sagradas. Dessa forma, cozinhar ou limpar a casa serão sagrados, serão uma oração. Não importa o que você esteja fazendo, o que importa é como você o está fazendo.
Você pode limpar o chão como um robô, como um dispositivo mecânico: é preciso limpar o chão, então você o limpa. Mas, se fizer isso de forma automática, estará deixando de ver algo de belo. Limpar o chão pode ser uma grande experiência, mas você a terá perdido. O chão ficará limpo, mas algo que poderia ter acontecido dentro de você não aconteceu. Se você estivesse perceptivo, alerta, não apenas o chão mas também você teria sentido uma limpeza profunda.
Limpe o chão em estado de total percepção, iluminado pela percepção. Trabalhe ou sente-se ou ande, mas uma coisa precisa ser continuamente desenvolvida: faça com que um número cada vez maior de momentos em sua vida sejam iluminados pela percepção. Deixe que a chama da percepção brilhe em cada momento, em cada ato.
Atingir a iluminação será o efeito cumulativo disso. O efeito cumulativo, todos os momentos juntos, todas as pequenas luzes juntas tornam-se uma grande fonte de luz.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Mente em Movimento
Dois homens estavam discutindo sobre uma bandeira que tremulava ao vento:
"A bandeira está se movendo." declarou o primeiro.
"Não; na verdade, é o vento que está se movendo." contestou o segundo.
Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e os interrompeu dizendo: "Nem a bandeira nem o vento estão se movendo," disse, "É a MENTE que se move."
Essa parábola, apesar de curta, esconde um significado muito grande. Quando o mestre diz que é a mente que se move, ele está dizendo que na verdade os fenômenos do mundo externo só acontecem no mundo interno, dentro da gente. Isso é um pouco estranho, mas pare para pensar: quando a bandeira se move, nós captamos a imagem e ela chega ao nosso cérebro. Mas essa parábola quer dizer mais do que isso.
Para ajudar na explicação, vou citar outra história muito interessante: Quando a Índia finalmente conseguiu sua independência da Inglaterra, um repórter perguntou à Mahatma Gandhi: “você perdoa os ingleses por tudo que eles fizeram?”. Ora, os ingleses tornaram a vida dos indianos, os nativos que estavam lá antes deles, um inferno. Eram escravos na própria terra, e eles sofreram muito até aquele momento. O próprio Gandhi foi preso inúmeras vezes por seus protestos pacíficos. Mas a resposta de Ghandhi foi: “Eu não os perdôo, porque não há nada a ser perdoado. Eles nunca me ofenderam.” A ação da ofensa é auto-causada: quando uma pessoa lhe insulta, você se ofende. A semântica da frase diz tudo: perante o insulto, nós escolhemos se vamos ficar ofendidos ou não. Depende de como interpretamos o que está acontecendo; A mente se ofende. As coisas, na verdade, estão todas acontecendo dentro de nós, dentro de nossa mente – nada fora dela.É um conceito difícil de apreender, mas faz muito sentido. Todas nossas emoções, sentimentos e reações acontecem a partir do que estamos interpretando das informações que estamos recebendo. A raiva, a paixão, o amor... é como entendemos o mundo. E esse entendimento é o modo como “construímos” o nosso mundo. O homem não é imparcial; tudo o que percebemos passa automaticamente pelo crivo das nossas experiências e crenças. Assim, uma pessoa que acha a vida na cidade grande uma coisa maravilhosa, vai ficar maravilhada quando for visitar uma metrópole; do mesmo modo, uma pessoa que acha que a cidade grande é ruim, vai achar horrível. É uma via de duas mãos: a informação entra, o juízo de valor sai.
Desse modo, estamos constantemente julgando as coisas em nossa mente, impondo nossas visões e preconceitos sobre as coisas do mundo que apenas são. É a mente que se move. É por isso que os mestres dizem que a maior parte dos problemas do homem são causados por ele mesmo. Porque não existe mais ninguém para causá-los – apenas ele mesmo. É comum do ser humano culpar as coisas externas pelos seus problemas, é uma forma de escapar. Mas isso é apenas uma mentira, uma ilusão – só você mesmo pode fazer algo para se melhorar, e melhorar o mundo que se vive. É claro, precisamos de ajuda dos outros – mas novamente, é nossa mente que vai escolher se abrir para um conselho ou rejeitá-lo se não for conveniente.Isso nos leva à reflexão final: Até que ponto estamos ofendendo a nós mesmos? Até que ponto estamos nos auto-infringindo sofrimento? E até que ponto estamos colocando a culpa disso em coisas e pessoas à nossa volta?
“As above, so below” Leia mais >>
terça-feira, 3 de março de 2009
O Guerreiro salta para dentro do abismo
Salte para dentro do abismo. Arrisque tudo e se lance nele.
Mesmo que tudo ao redor pareça indicar que você vai morrer, é preciso correr esse risco. Na última hora, a mão do Onipotente o salvará. Você passará fome e frio. Sentirá espasmos de horror enquanto seu corpo cair. Mas não hesite. Se hesitar, vai morrer.
Confie que nada vai lhe acontecer. E suave será a sua aterrissagem.
Um momento de escolha. É sobre isso que fala o texto acima. O momento quando o caminho termina, e só podemos escolher parar ou pular. E nunca devemos parar, parar na vida é atrasar, deixar as coisas passarem não pode ser uma opção, apesar de momentos de reflexão serem importantes para a tomada das decisões, nunca se tem certeza absoluta de nada.

Então, quando escolher, escolha com o coração e a alma, eles são o seu guia na sua vida, nunca os abandone pela racionalidade. O racional pode te ajudar nas coisas racionais, o mundo das coisas é racional, as coisas metódicas, periódicas e somáveis, no 1+1=2 da vida. Mas a felicidade não é somável, tampouco racional. A felicidade é um estado espiritual. Não existe nada no mundo material que atinja as coisas do mundo espiritual, mas um único homem que atinge plenitude no mundo espiritual, é capaz de modificar o mundo material por completo, e assim funcionou com grandes almas, como Jesus, que momentos antes de ser traído por Judas sentiu medo, mas mesmo assim entregou seu destino nas mãos de Deus e deu a sua vida por amor a nós. Mesmo ainda, quando Sidarta Gautama na calada da noite, sem se despedir de ninguém por ter medo de não conseguir partir se o fizesse, abandonou seu palácio, sua família e sua vida de príncipe para viver como mendigo e passar por várias provações. Eles entre outros, seguiram seus corações e saltaram nos abismos. Tiveram medo, sofreram, mas venceram.
Portanto, se arrisque, salte. Confie no seu coração. Porque o sofrimento é inevitável na vida, mas a felicidade só pode ser alcançada sendo verdadeiro consigo mesmo.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Autodescoberta
"O esplendor de uma pessoa que descobriu tudo o que se passa dentro dela é extraordinário porque, ao se tornar consciente, tudo que é falso desaparece e tudo que é real desabrocha.
Exceto isso , não existe nenhuma transformação radical possível.
Nenhuma religião pode lhe dar isso, nenhum messias pode lhe dar isso.
É um presente que você tem que se dar."
sábado, 8 de novembro de 2008
Auto-aceitação
Você não pode melhorar a si mesmo. Não estou dizendo que não é possível melhorar, apenas que você não pode melhorar a si mesmo. Quando você pára de se melhorar, a vida melhora você. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa a fluir por você.
Ninguém jamais foi como você, e ninguém jamais será como você. Você é simplesmente único, incomparável. Aceite isso, ame isso, celebre isso – e dentro desta própria celebração você começará a ver a singularidade dos outros, a incomparável beleza dos outros. O amor só é possível quando há uma aceitação profunda de si mesmo, do outro, do mundo. A aceitação cria um meio em que o amor cresce, é o solo em que o amor floresce.
O AMOR-PERFEITO NO JARDIM DO REI
Ouvi a seguinte história:
Um rei passeou por seu jardim e encontrou suas árvores, arbustos e flores murchos, quase morrendo. O carvalho disse que estava morrendo porque não podia ser tão alto quanto o pinho. Virando-se para o pinho, percebeu que estava murcho porque não podia dar umas como uma videira. A videira, por sua vez, estava morrendo porque não podia florescer como a roseira. Mas encontrou o amor-perfeito florescente e muito viscoso. Ao perguntar, recebeu a seguinte resposta:
“Acreditei que ao me plantar, você quisesse um amor-perfeito. Se houvesse desejado um carvalho, uma videira ou uma roseira, teria plantado um deles. Então pensei: já que você havia me colocado aqui, deveria fazer o melhor para ser aquilo que você deseja. Não posso ser nada além daquilo que sou, e estou tentando sê-lo da melhor forma que me é possível.”
Você está a que porque a existência precisa de você tal como é. Caso contrário, outra pessoa estaria aqui! A existência não teria ajudado você a estar aqui, não o teria criado. Você está cumprindo algo muito essencial, muito fundamental, ao ser como é.
Se Deus quisesse um Buda, ele teria produzido tantos Budas quantos desejasse. Produziu um único Buda – isso bastou, ele ficou satisfeito consigo mesmo, profundamente satisfeito. Desde então ele não produziu outro Buda ou outro Cristo. Em vez disso, criou você. Pare e pense no respeito que o Universo lhe atribuiu! Você foi escolhido, não Buda, não Cristo, não Krishna.
Você será mais necessário, essa é a razão.Você encaixa melhor agora. O trabalho deles já foi feito, contribuíram com suas fragrâncias para a existência. Agora você deve contribuir com sua própria fragrância.
Contudo, os moralistas, os puritanos, os padres, todos continuam querendo lhe ensinar lições, querem deixar você maluco. Dizem à rosa: “Torne-se um lótus.” E dizem ao lótus: “O que você está fazendo aqui? Você deve se tornar alguma outra coisa.” Deixam todo o jardim louco e tudo começa a morrer, porque ninguém pode ser outra pessoa, isso não é possível.
Foi isso que aconteceu à humanidade. Todos estão fingindo. A autenticidade se perdeu, todos tentam ser outra pessoa.
Olhe para si mesmo: você está fingindo ser outra pessoa. Mas só pode ser você mesmo, não há outra forma, nunca houve, não é possível ser outra pessoa. Você permanecerá sendo você mesmo. Pode divertir-se com isso e florescer, ou pode secar aos poucos caso condene aquilo que você é.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Fim dos Inimigos
Se você matar por raiva,
Seus inimigos nunca acabarão;
Se você matar a raiva,
Isso matará seus inimigos de uma vez por todas.
(Os Cem Versos)
Dilgo Khyentse Rinpoche
"The heart of Compassion"
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Wallpapers Zen
Páginas com wallpapers Zen.
http://www.thetruthsoflife.com/spiritual-wallpapers/buddhism-1.html
http://www.nywellnessguide.com/misc/screensavers.asp
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Arqueiro Zen

Depois de ter vencido muitos concursos de arco e flecha, o campeão da cidade foi procurar o mestre zen.
- Sou o melhor de todos - disse. - Não aprendi religião, não procurei ajuda dos monges, e consegui chegar a ser considerado o melhor arqueiro de toda região. Soube que, durante uma época, o senhor foi o melhor arqueiro da região, e pergunto: havia necessidade de virar um monge para aprender a atirar?
- Não - respondeu o mestre zen.
Mas o campeão não se deu por satisfeito: retirou uma flecha, colocou em seu arco, disparou, e atingiu uma cereja que se encontrava muito distante. Sorriu, como quem diz: "o senhor podia ter poupado o seu tempo, dedicando-se apenas à técnica." E disse:
- Duvido que o senhor repita isso.
Sem demonstrar a menor preocupação, o mestre entrou, pegou seu arco, e começou a caminhar em direção a uma montanha próxima. No caminho, existia um abismo que só podia ser cruzado por uma velha ponte de corda apodrecida, quase despencando: com toda a calma, o mestre zen foi até o meio da ponte, tirou seu arco, colocou a flecha, apontou uma árvore do outro lado do despenhadeiro, e acertou o alvo.
- Agora é você - disse gentilmente para o rapaz, enquanto voltava para terreno seguro.
Aterrorizado, olhando o abismo aos seus pés, o jovem foi até o lugar indicado, atirou, mas sua flecha atingiu um lugar muito distante do alvo.
- Para isso valeu a disciplina e a prática da meditação - concluiu o mestre, quando o rapaz voltou para o seu lado. - Você pode ter muita habilidade com o instrumento que escolheu para ganhar a vida, mas tudo isso é inútil, se não consegue dominar a mente que utiliza este instrumento.
Quadrinhos Zen
Esse site tem algumas páginas de amostra do livro Zen em Quadrinhos, de Tsai Chih Chung.
aqui vai o link: http://winstonsmith.free.fr/__/library/chih_chung/zq-1.html
A página ainda tem amostra de outros livros bem interessantes, vale a pena conferir.
sábado, 30 de agosto de 2008
Nas mãos do Destino
Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:
"Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos."
Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.
Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:
"Ninguém pode mudar a mão do Destino!"
"Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.
Leia mais >>Uma xícara de Chá
Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.
Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.
O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:
"Está muito cheio. Não cabe mais chá!"
"Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"
Leia mais >>segunda-feira, 31 de março de 2008
Mudando o mundo
Recebi no meu e-mail um texto magnífico falando sobre mudar o mundo. Como é um texto que reflete o que penso, resolvi colocá-lo aqui. Eu o recebi da newsletter do site Somos Todos Um.
Osho,
"Você é o mundo". Esta é uma das colocações de Krishnamurti que causam confusão... Você poderia dizer algo sobre isso?
A colocação de J. Krishnamurti de que "Você é o mundo" não é confusa de maneira alguma. É muito simples... O mundo é apenas um nome; o indivíduo é a realidade.
...Palavras como o "mundo", a "sociedade”, a "religião", a "nação", são meras palavras sem nenhum conteúdo por trás delas - caixas vazias. Exceto você, não existe mundo.
Essa é uma maneira de compreender a colocação: que o indivíduo é a única realidade. E o mundo não é nada mais do que a coletividade de indivíduos, então, seja lá o que for, é uma contribuição de indivíduos... Você não pode jogar a responsabilidade em alguém mais; você tem de aceitar a responsabilidade sobre os seus próprios ombros.
... Você pode ser contra a guerra, pode ser um pacifista, pode ser um manifestante crônico - sempre com uma bandeira protestando contra a guerra, contra a violência.
... Mas a vida é um fenômeno complexo. Os seus protestos, o seu pacifismo, a sua luta contra a guerra ainda é parte da guerra; você não é um homem de paz.
E você pode observar isso quando as pessoas protestam - a sua raiva, a sua violência é tão óbvia que a gente pensa por que essas pessoas estão protestando contra a guerra... Uma boa máscara, mas por dentro está a mesma raiva, o mesmo ódio, a mesma violência, a mesma destrutividade contra qualquer pessoa que não concorda com elas.
... A colocação de J. Krishnamurti de que "Você é o mundo" simplesmente enfatiza o fato de que todo indivíduo, onde quer que esteja, seja lá o que for que faça, deve aceitar a responsabilidade de criar esse mundo que existe ao nosso redor.
Se ele é insano, você contribuiu para essa insanidade da sua própria maneira. Se ele é doente, você também é um parceiro em torná-lo doente. E a ênfase é importante - porque a menos que você compreenda que "eu também sou responsável por esse mundo insano e miserável," não existe possibilidade de mudança. Quem vai mudar? Todo mundo acha que alguém mais é responsável.
... Se estiver sofrendo, se estiver miserável, se estiver tenso, cheio de ansiedades, angústia, não apenas se console dizendo que este mundo é feio, que todos os demais são feios, que você é uma vítima.
J. Krishnamurti está dizendo que você não é uma vítima, você é um criador deste mundo insano; naturalmente, você tem de participar no resultado de seja lá o que for que tenha contribuído. Você está participando em jogar as sementes, estará participando ao colher a colheita também; você não pode escapar.
Para tornar o indivíduo ciente, de forma que ele pare de jogar a responsabilidade nos outros - do contrário, ele começa a olhar para dentro para ver de que maneira ele está contribuindo para toda essa loucura - existe uma possibilidade de que ele possa parar de contribuir.
... Aceitar a sua responsabilidade irá transformá-lo e a sua transformação é o começo da transformação do mundo - porque você é o mundo. Seja lá o quão pequeno for, um mundo em miniatura, mas você carrega todas as sementes. Se a revolução acontece em você, ela carrega a revolução para o mundo todo.
... Se você quiser mudar o mundo, não comece mudando o mundo - essa é a maneira errada que a humanidade tem seguido até agora... Somente uma revolução pode ser bem sucedida, o que não foi tentado até agora - e essa é a revolução do indivíduo.
Mude você mesmo. Esteja alerta para não contribuir com qualquer coisa que torne o mundo um inferno. E lembre-se de contribuir com alguma coisa para o mundo que o torne um paraíso.
... Nenhuma revolução pode ter sucesso a menos que a mente humana seja compreendida pelos seres humanos e eles comecem a se comportar de maneira diferente... Escapar para o Himalaia não vai ajudar porque, mesmo no Himalaia, a sua mente permanecerá a mesma, apenas você não terá a oportunidade de saber disso.
... É um fato simples: as pessoas que escaparam do mundo não acham que são responsáveis por este mundo. Escapando, elas não mudaram o mundo... nem passaram por uma mudança interna nelas mesmas. Por essa razão eu sou contra renunciar ao mundo.
Fique no mundo, seja lá o quão difícil for - porque é apenas no mundo que será lembrado, em cada passo, que tipo de mente você está carregando por dentro. E essa mente é projetada no lado de fora e se torna enorme porque tantas mentes estão projetando da mesma maneira.
"Você é o mundo" não é uma colocação matemática.
"Você é o mundo" é um insight psicológico.
E pode se tornar a própria chave para a única revolução que pode acontecer.
Osho, em Sermons in Stones
