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domingo, 9 de agosto de 2009

DMT e a Glândula Pineal



Direto do Teoria da Conspiração.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vícios Pessoais

Eram duas horas da tarde. Não se ouvia nenhum ruído, e Petrus começou:

"Tende piedade, Senhor, porque somos peregrinos a caminho de Compostela, e isto pode ser um vício. Fazei em vossa infinita piedade com que jamais consigamos virar o conhecimento contra nós mesmos"


"Tende piedade dos que têm piedade de si mesmos, e se acham bons e injustiçados pela vida, porque não mereciam as coisas que lhe aconteceram - pois estes jamais vão conseguir combater o Bom Combate. E tende piedade dos que são cruéis consigo mesmos, e só vêem maldade nos próprios atos, e se consideram culpados pelas injustiças do mundo. Porque estes não conhecem Tua lei que diz: "até os fios de tua cabeça estão contados".

"Tende piedade dos que mandam e dos que servem muitas horas de trabalho, e se sacrificam a troco de um domingo onde está tudo fechado e não existe lugar aonde ir. Mas tende piedade dos que santificam sua obra e vão além dos limites de sua própria loucura, e terminam endividados ou pregados na cruz por seus próprios irmãos. Porque eles não conheceram Tua lei que diz: 'sede prudente como as serpentes e simples como as pombas'".

"Tende piedade porque o homem pode vencer o mundo e nunca travar o Bom Combate consigo mesmo. Mas tende piedade dos que venceram o Bom Combate consigo mesmos, e agora estão pelas esquinas e bares da vida, porque não conseguiram vencer o mundo. Porque estes não conheceram a Tua lei que diz: ´quem observa minhas palavras tem que edificar sua casa na rocha´".

"Tende piedade dos que têm medo de segurar na pena, no pincel, no instrumento, na ferramenta, porque acham que alguém já fez melhor que eles, e não se sentem dignos de entrar na mansão portentosa da Arte. Mas tende mais piedade dos que seguraram na pena, no pincel, no instrumento e na ferramenta, e transformaram a Inspiração numa forma mesquinha de se sentirem melhores do que os outros. Estes não conheceram Tua lei que diz:'nada está oculto senão para ser manifesto, e nada se faz escondido senão para ser revelado'".

"Tende piedade dos que comem, e bebem, e se fartam, mas são infelizes e solitários em sua fartura. Mas tende mais piedade dos que jejuam, censuram, proíbem e se sentem santos, e vão pregar Teu nome pelas praças. Porque não conheceram Tua lei que diz:'se eu testifico a respeito de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro'".

"Tende piedade dos que temem a Morte e desconhecem os muitos reinos que caminharam e as muitas mortes que já morreram, e são infelizes porque pensam que tudo vai acabar um dia. Mas tende mais piedade dos que já conheceram suas muitas mortes, e hoje se julgam imortais, porque desconhecem Tua lei que diz:'quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus'".

"Tende piedade dos que se escravizam pelo laço de seda do Amor, e se julgam donos de alguém, e sentem ciúmes, e se matam com veneno, e se torturam porque não conseguem ver que o Amor muda como o vento e como todas as coisas. Mas tende mais piedade dos que morrem de medo de amar, e rejeitam o amor em nome de um Amor Maior que eles não conhecem, porque não conhecem Tua lei que diz:'quem beber desta água, nunca mais tornará a ter sede'".
"Tende piedade dos que reduzem o Cosmos a uma explicação, Deus a uma poção mágica, e o homem a um ser com necessidades básicas que precisam ser satisfeitas, porque estes nunca vão ouvir a música das esferas. Mas tende mais piedade dos que possuem a fé cega, e nos laboratórios transformam mercúrio em ouro, e estão cercados de livros sobre os segredos do tarot e o poder das pirâmides. Porque estes não conhecem Tua lei que diz:'é das crianças o reino dos céus'".

"Tende piedade dos que não vêem ninguém além de si mesmos, e para quem os outros são um cenário difuso e distante quando passam pela rua em suas limusines, e se trancam em escritórios refrigerados no último andar, e sofrem em silêncio a solidão do poder. Mas tende piedade dos que abriram mão de tudo, e são caridosos, e procuram vencer o mal apenas com amor, porque estes desconhecem Tua lei que diz:'quem não tem espada, que venda sua capa e compre uma'".

"Tende piedade, Senhor, de nós que buscamos e ousamos empunhar a espada que prometesses, e que somos um povo santo e pecador, espalhado pela terra. Porque não reconhecemos a nós mesmos, e muitas vezes pensamos que estamos vestidos e estamos nus, pensamos que cometemos um crime e na verdade salvamos alguém. Não vos esqueceis em vossa piedade de todos nós que empunhamos a espada com a mão de um anjo e a mão de um demônio segurando no mesmo punho. Porque estamos no mundo, e continuamos no mundo e precisamos de Ti. Precisamos sempre de Tua lei que diz:'quando vos mandei sem bolsa, sem alforje e sem sandálias, nada vos faltou'".


retirado do livro "O diário de um mago" de Paulo Coelho.


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quarta-feira, 29 de abril de 2009

O sermão na Montanha, por Eliphas Levi

Um texto pouco conhecido do Eliphas Levi, que mostra um pouco do lado Martinista deste Mago.

“Depois de Jesus ter repelido numa visão todas as coroas da Terra que lhe eram oferecidas pelo gênio do mal, a quem elas pertenciam, e que lhe propunha comprar a tirania ao preço de escravidão, como estava na lei do velho mundo; Depois de ter dominado a fome, o orgulho e a ambição do poder, Jesus, o conquistador pacífico, subiu a montanha, e, cercado de pastores e pecadores, começou seu primeiro discurso: Bem-aventurados aqueles que são pobres de espírito, porque a eles pertence o reino dos céus! Isso queria dizer: Infelizes os escravos da riqueza egoísta, porque só acumularão a miséria eterna! Bem-aventurados aqueles que são dóceis, porque possuirão a terra! É como se dissesse: Infelizes os que querem reinar sobre a terra pela violência, porque o poder lhes escapará! Bem-aventurados aqueles que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Pobres e deserdados, esperai pois! o cristianismo vos abre a porta de um futuro feliz. Bemaventurados os misericordiosos, porque obterão a misericórdia! Compreendemos que a frase acima quer dizer também: Infelizes os homens sem piedade, porque não haverá piedade para eles! Bemaventurados aqueles que têm o coração puro, porque verão Deus! Deus é a verdade e a justiça. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados de filhos de Deus! Um de nossos poetas disse: o amor é mais forte do que a guerra. A força bruta passará e se consumirá, mas a razão
calma e senhora de si mesma triunfará e terá sempre um novo poder! Bem-aventurados aqueles que sofrem perseguição pela justiça, porque a eles pertence o reino do céu! É perdoando que os mártires provam sua realeza. Quem persegue, abdica, e quem sofre, resiste. Resistir é poder, e poder é reinar. Não vim para destruir, mas para realizar, dizia ainda o filho do carpinteiro, declarando-se assim o iniciador do progresso.

O que dizia então ao judaísmo podemos dizê-lo ao catolicismo, nós, os homens do progresso religioso; nós, seus discípulos e continuadores de sua obra! Se vossa justiça, dizia ele, não é mais rica que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus, e podemos dizer: Se não sois melhores e mais justos que os mais ardentes do
velho mundo e da Idade Média, não entrareis na associação universal do cristianismo realizado. Cristo disse: Aquele que injuriar seu irmão merecerá condenação; e nós dizemos: Aquele que não cuidar de seu irmão e que tratar como estranho um só membro da família humana, merecerá ser renegado pela família e terá lugar no julgamento dos fratricidas. Cristo disse: Perdoai sempre, e nós dizemos: Não vos ofendais mesmo com o mal que vos possam fazer. Os maus são doentes, tratai-os e não vos irriteis contra eles. Ele disse: Prestai atenção, antes do vosso sacrifício, se vosso irmão não tem alguma coisa contra vós e ide reconciliar-vos com ele antes de vossa
prece. E dizemos: Antes de vos sentardes à mesa perguntei a vosso irmão se não precisa de nada; dai primeiramente uma parte de vosso pão a quem não o tem, em seguida sentai no banquete da comunhão e Deus vos reconhecerá como seus filhos.

Ele disse: Aquele que abandona sua mulher é um adúltero, e aquele que rechaça sua companheira a impele à prostituição. E nós dizemos: Aquele que prostitui uma mulher, ultraja sua mãe, e aquele que casa sua filha por dinheiro, vende sua filha, e aquele que compra ou vende uma mulher, a prostitui; porque a essência do casamento é o amor e as relações conjugais sem amor são a impureza. Cristo disse: Não jureis, mas que vossa palavra seja sagrada. E nós dizemos: Para que a palavra seja sagrada é necessário que ela seja livre. Libertemos a inteligência; não fechemos a boca senão à mentira. Aquele que sufoca a palavra verdadeira é um deicida. Condenar não é responder. Perseguir uma idéia é sancioná-la. Um homem inteligente que fala fora de tempo pode não ter razão, para julgar é preciso ouvi-lo. Aquele que é forçado a se calar tem sempre razão. Quanto à perversidade e à estupidez, o próprio bom senso impõe-lhes silêncio. Ele disse: Oferece a face esquerda se te baterem na direita; e se te tomarem a túnica, abandona também teu manto. E nós dizemos a nossos irmãos: Quando vos caluniarem por ter dito a verdade ireis vos expor ainda à injustiça, e quando tiverdes sofrido a injúria e a calúnia, ireis vos expor com júbilo à miséria e à morte no desprezo. Quanto mais vossos inimigos vos batem, mais eles enfraquecem; quanto mais sofreis, mais sois fortes. Cristo disse: Não sejais hipócritas. E nós dizemos: Prestai solicitude a todos, falai menos de moral e sede menos infames. Sede francos e modestamente homens, e não procureis encobrir as torpezas da estupidez sob as asas de um anjo. Ele disse: Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. E nós dizemos:



A propriedade não se faz respeitar quando não tem por origem o trabalho e por regra a fraternidade na associação. Ele disse: Não julgueis e não sereis julgados. E nós dizemos: Operai a transformação da penalidade em higiene moral, levantai aquele que cai e não batais nele; daí às enfermidades morais tratamentos morais, e não punições ímpias; não gireis em um círculo sangrento punindo o homicídio, porque agindo dessa forma dais de algum modo razão aos assassinos e perpetuais uma guerra de canibais. Se quereis que o homicídio seja realmente um crime, fazei com que não seja jamais um direito, e lembrai-vos desse condenado que dizia: Assassinando, arrisquei minha cabeça; vós ganhais, eu pago: estamos quites. E em seu pensamento acrescentava: Somos iguais. Cristo disse: Procurai primeiramente o reino de Deus e sua justiça e o resto vos será dado por acréscimo. E nós dizemos: O reino de Deus não é o reino da fome para Lázaro e das orgias do rico mau. O reino de Deus é o sol para todos, e a terra para todos é a fraternidade do trabalho, é a prostituição tornada impossível pelo respeito à mulher, é a escada social acessível, em todos os seus degraus, ao trabalho e mérito de todos. É o trabalho para todos; é a família para todos, é a propriedade para todos, é o reino da razão, é o sacerdócio do amor, é a comunhão de cada um em todos e de todos em cada um, é a unidade divina e humana, Deus vivo na humanidade, o Cristo ressuscitado e vivo no grande corpo do povo cristão; a liberdade progressiva e submetida à ordem, a igualdade relativa na ordem da hierarquia e a fraternidade distribuindo tudo a todos, segundo as leis da harmonia, que é a eterna sabedoria.

créditos ao Teoria da Conspiração.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Inventário da Normalidade

mais um texto muito bom do Teoria da Conspiração:

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Resolvi fazer uma pesquisa com meus amigos sobre aquilo que a sociedade considera um comportamento normal. A seguir, listo alguns destes absurdos com que convivemos todos os dias, porque a sociedade considera normal:

1] qualquer coisa que nos faça esquecer nossa verdadeira identidade e nossos sonhos, e nos faça apenas trabalhar para produzir e reproduzir.

2] ter regras para uma guerra (Convenção de Genebra).

3] gastar anos fazendo uma universidade, para depois não conseguir trabalho.

4] trabalhar de nove da manhã as cinco da tarde em algo que não dá o menor prazer, desde que em 30 anos a pessoa consiga aposentar-se.

5] Aposentar-se, descobrir que já não tem mais energia para desfrutar a vida, e morrer em poucos anos, de tédio.

6] Uso de botox.

7] Procurar ser bem-sucedido financeiramente, ao invés de buscar a felicidade.

8] Ridicularizar quem busca a felicidade ao invés do dinheiro, chamando-o de “pessoa sem ambição”.

9] Comparar objetos como carros, casas, roupas, e definir a vida em função destas comparações, ao invés de tentar realmente saber a verdadeira razão de estar vivo.

10] Não conversar com estranhos. Falar mal do vizinho.

11] Sempre achar que os pais estão certos.

12] Casar, ter filhos, continuar juntos mesmo que o amor tenha acabado, alegando que é para o bem da criança (que parece não estar assistindo as constantes brigas).

12ª] Criticar todo mundo que tenta ser diferente.

14] Acordar com um despertador histérico ao lado da cama.

15] Acreditar em absolutamente tudo que está impresso.

16] Usar um pedaço de pano colorido amarrado no pescoço, sem qualquer função aparente, mas que atende pelo pomposo nome de “gravata”.

17] Nunca ser direto nas perguntas, mesmo que a outra pessoa entenda o que se está querendo saber.

18] Manter um sorriso nos lábios quando se está morrendo de vontade de chorar. E ter piedade de todos os que demonstram seus próprios sentimentos.

19] Achar que arte vale uma fortuna, ou que não vale absolutamente nada.

20] Sempre desprezar aquilo que foi conseguido com facilidade, porque não houve o “sacrifício necessário”, e, portanto não deve ter as qualidades requeridas.

21] Seguir a moda, mesmo que tudo pareça ridículo e desconfortável.

22] Estar convencido que toda pessoa famosa tem toneladas de dinheiro acumulado.

23] Investir muito na beleza exterior, e se preocupar pouco com a beleza interior.

24] Usar todos os meios possíveis para mostrar que, embora seja uma pessoa normal, está infinitamente acima dos outros seres humanos.

25] Em um meio de transporte público, jamais olhar diretamente nos olhos de uma pessoa, caso contrário isso pode ser interpretado como um sinal de sedução.

26] Quando entrar no elevador, manter o corpo voltado para a porta de saída, e fingir que é a única pessoa lá dentro, por mais lotado que esteja.

27] Jamais rir alto em um restaurante, por melhor que seja a história.

28] No hemisfério norte, usar sempre a roupa combinando com a estação do ano; braços de fora na primavera (por mais frio que esteja) e casaco de lã no outono (por mais quente que esteja).

29] No hemisfério sul, encher a árvore de natal de algodão, mesmo que o inverno nada tenha a ver com o nascimento de Cristo.

30] À medida que for ficando mais velho, achar-se dono de toda a sabedoria do mundo, embora nem sempre tenha vivido o suficiente para saber o que está errado.

31] Ir a um chá de caridade e achar que com isso já colaborou o suficiente para acabar com as desigualdades sociais do mundo.

32] Comer três vezes por dia, mesmo sem fome.

33] Acreditar que os outros sempre são melhores em tudo: são mais bonitos, mais capazes, mais ricos, mais inteligentes. É muito arriscado aventurar-se além dos próprios limites, melhor não fazer nada.

34] Usar o carro como uma maneira de sentir-se poderoso e dominar o mundo.

35] Dizer impropérios no trânsito.

36] Achar que tudo que seu filho faz de errado é culpa das companhias que ele escolheu.

37] Casar-se com a primeira pessoa que lhe oferecer uma posição social. O amor pode esperar.

38] Dizer sempre “eu tentei”, mesmo que não tenha tentado absolutamente nada.

39] Deixar para viver as coisas mais interessantes da vida quando já não tiver mais forças para tal.

40] Evitar a depressão com doses diárias e maciças de programas de TV.

41] Acreditar que é possível estar seguro de tudo que conquistou.

42] Achar que mulheres não gostam de futebol, e que homens não gostam de decoração.

43] Culpar o governo por tudo de ruim que acontece.

44] Estar convencido de que ser uma pessoa boa, decente, respeitosa significa que os outros vão pensar que é fraca, vulnerável, e facilmente manipulável.

45] Estar igualmente convencido que a agressividade e a descortesia no trato com os outros é que são sinônimos de uma personalidade poderosa.

46] Ter medo de fibroscopia (homens) e parto (mulheres).

47] Finalmente: achar que a sua religião é a única dona da verdade absoluta, a mais importante, a melhor, e que todos os outros seres humanos neste imenso planeta que acreditam em qualquer outra manifestação de Deus estão condenados ao fogo do inferno

Texto do meu irmão de algumas ordens Paulo Coelho, que estranhamente é elogiado pelos críticos em todos os países do mundo, menos no Brasil.

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Significado

Poder-se-ia comparar o homem a alguém que viva no Grand Canyon, mas que seja tão míope que não enxerga nada além de cinco metros de distância. Ou uma pessoa que viva numa catedral, envolvido porém por uma espécie de cortina – como que no interior do cubículo de um adivinho – que o acompanha para onde quer que caminhe.
A cortina é o “dia-a-dia”. É um estado mental, não uma realidade objetiva. Deve-se considerar a mente como algo parecido com o radar dos morcegos: de alguma forma conseguimos nos estender para fora e “sentir” a realidade à nossa volta. Na simplicidade do cotidiano, porém, o
homem não precisa “estender-se” para muito longe. E acaba adquirindo o hábito de não fazê-lo.

(…)

O homem precisa desenvolver a consciência positiva. Ele atingiu sua posição atual na escala da evolução graças ao seu poder de voltar a mente para o microscópio e concentrar-se em coisas pequenas. Mas isso o tornou vítima do pequeno e do negativo. A história humana é a história da infantilidade, de brigas bobas por pequenos motivos. Como a dona de casa em Under Milk Wood, que diz “Antes de deixar o sol entrar, cuide que ele limpe os pés”, escravizamo-nos à nossa espantosa capacidade de dedicação às minúcias. Essa mulher obviamente não desfruta do fato de viver. Está presa a seu próprio negativismo. Como todos nós.

(…)

Os mistérios de iniciação constituíam algo diferente. Seu objetivo era elevar a mente acima da banalidade cotidiana, colocando-a numa firme contemplação do caráter milagroso da natureza. O método(da iniciação da religião de Numa) consistia em fazer com que o aspirante se identificasse com a história de Deméter e Coré ou Orfeu, do mesmo modo que um bom pregador pode conseguir que seus fiéis se identifiquem com a paixão de Jesus numa Sexta-feira Santa. A história de Deméter é dramática o bastante para esse fim: sua filha foi raptada e violentada pelo deus do mundo dos mortos, quando colhia rosas, açafrão, jacintos e violetas nos campos. Durante a longa busca que empreendeu, Deméter fez-se passar por mortal e tornou-se ama no palácio de Ática, em Elêusis.(Ela tencionava fazer do recém-nascido filho do rei um ser imortal, mas foi surpreendida pela rainha no momento em que estava prestes a colocar o menino no fogo, sendo forçada a revelar sua verdadeira identidade.) Sua dor torna estéril a terra, até que Plutão permite que Coré volte à terra uma vez por ano. A lenda explica as estações do ano, e os iniciados tomavam-na ao pé-da-letra. Os mistérios começavam com um jejum ritualístico, seguido de uma vigília que atravessava a noite toda, durante a qual os candidatos à iniciação permaneciam sentados e cobertos por véus, em bancos forrados com pele de carneiro. Na vigília, meditavam sobre o rapto de Coré e a tristeza de Deméter, a longa busca empreendida pela mãe, e assim por diante. Nessa parte oral oral da iniciação, conseguia-se tudo isso por uma representação sagrada e por “sermões”. Em seguida vinham as “provas”, que por certo eram terrificantes e até mesmo verdadeiramente perigosas. Por fim, o clímax da representação: a tristeza de Deméter no templo de Elêusis, os campos áridos sem vegetação, a devolução da filha, com o que ela faz crescer de uma só vez um milharal pronto para a colheita. Nesse ponto da celebração, apresenta-se aos adoradores uma espiga de milho maduro. E, como nos rituais dos xamãs, é provável que o efeito dramático fosse esmagador. Os adoradores olham para fora, para os campos de milho que balançavam com o vento, para os pomares de frutos maduros, e é como revelação. A partir desse ponto, o nome de Deméter ou Coré provoca arrepios no couro cabeludo.

(…)

Sempre que a poesia, a música ou uma paisagem me toca profundamente, percebo que vivo num universo de significados que merece de minha parte algo melhor do que a lassidão mesquinha em que vivo habitualmente. E de súbito compreendo a verdadeira fatalidade que representa esse contentamento sem entusiasmo que parece tão inofensivo quanto a trepadeira numa árvore. Ele sistematicamente me rouba a vida, apropriando-se de minha vitalidade e de meu sentido de finalidade. Preciso concentrar-me com clareza nesse imenso significado à minha volta, e me recusar a esquecê-lo; devo rejeitar com desprezo todos os significados menores que procuram atrair para eles minha capacidade de concentração.

Retirado do livro O Oculto, de Colin Wilson.

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