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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

JESUS, DE PROFETA A ENCARNAÇÃO DE DEUS

Por Shaka Kama-Hari


A figura religiosa de Jesus não se conteve apenas ao cristianismo, expandindo-se por todas as religiões do mundo. Seus ensinamentos muitas vezes são mais importantes que sua própria pessoa. Sendo reconhecido desde um simples profeta até uma encarnação de Deus, Jesus está envolvido dentro da doutrina das diversas religiões. Visto que tanto a vida do santo quanto sua ideologia toca profundamente a mente de cada ser humano, é impossível não deixar se influenciar pela mensagem de Jesus, mesmo não acreditando na sua santidade; até porque, antes de ser voltada para a vida após a morte, os ensinamentos do Cristo são voltados para a caminhada do ser humano ainda em vida.


Jesus no Judaísmo

A maioria dos judeus vê Jesus como um transgressor da lei e um dos vários revolucionários da época que contestaram a ordem social como Menahem ben Judah e Simão bar Kokhba e que foram condenados à morte pelo Império Romano. Muitos contestam o caráter messiânico de Jesus, visto que ele não cumpriu algumas profecias para os judeus, dentre as quais a que fala que o Messias só viria após a construção do terceiro templo de Jerusalém (visto que o segundo foi destruído pelos romanos). Para os judeus, Jesus não ressuscitou, uma vez que, segundo eles, os discípulos roubaram o corpo do túmulo enquanto os soldados dormiam, e espalharam a notícia da ressurreição.

Outro fator de crítica é a mitificação de Jesus, vista pelos judeus como uma paganização do judaísmo, onde Jesus tornou-se um deus pagão dentro da crença judaica. Já outros judeus vêem a figura de Jesus como sendo mais um dos profetas enviados por Deus para restaurar o judaísmo, corrompido pelos pagãos. Entretanto, há um ramo do Judaísmo que reconhece em Jesus o tão esperado Messias. Esse ramo é chamado Judaísmo Messiânico. Os judeus messiânicos reconhecem a figura de Jesus como o Messias judeu, mas observam todos os preceitos da doutrina judaica. Entretanto, o governo de Israel não os reconhecem como uma seita judaica, classificando-os como cristãos.

Jesus no Islamismo


Maomé ora com Abraão, Jesus e Moisés

No Islã, Jesus toma um papel fundamental no plano de Deus para os homens. Ao elaborar a doutrina Islâmica, Mohammed incluiu aspectos do Judaísmo, Cristianismo e Zoroastrismo, visto que Meca - cidade onde ele vivia - era um ponto comercial, o que também fazia da cidade um pólo cultural. Assim, entrando em contato com diversas ideologias, Mohammed elaborou os preceitos do Islã. Um desses preceitos diz relação aos profetas, os enviados de Deus: Mohammed traçou uma linhagem profética que começava com Adão e terminava nele. A maioria dos profetas do Islã são judeus, como Moisés, Elias, João Batista e o próprio Jesus. Jesus no Islã é tido como um dos mais importantes profetas, rivalizando com Mohammed. Segundo o Islã, Jesus é muçulmano. A prova disso está nos evangelhos, quando Jesus pede que seja feita a vontade de Deus, não a dele. Uma vez renunciando a vontade humana para se submeter à vontade de Deus, a pessoa é tida como muçulmana.

Dependendo do ramo Islâmico, Jesus é mais que um profeta: ele é tido como o Messias. Para o ramo Xiita Jesus não é o Messias, visto que o Messias ainda viria, como dizem os judeus. Jesus seria apenas mais um dos profetas que Deus enviou. Já para o ramo Sunita Jesus, além de profeta, é o Messias que Deus enviou, e que no fim dos tempos voltará para que ocorra o Juízo Final. Entretanto, os muçulmanos como um todo não acreditam na ligação divina entre Deus e Jesus, vendo no dogma da trindade uma criação da Igreja, inspirada em tradições pagãs.

Em vários trechos do Alcorão Jesus é citado como sendo um grande mensageiro de Deus. A seita Sufi dos Dervixes chama Jesus de "Seiydna Issa", o Senhor Jesus, uma expressão não ligada à filiação divina de Jesus, mas à autoridade que vem de seus ensinamentos, transformando-o num porta-voz de Deus.

A seita Islâmica dos Ahmadis prega que Jesus não morreu na cruz, sendo Judas condenado em lugar do Mestre, haja visto as condições quase que impossíveis para a condenação de Jesus, devido a uma acusação sem fundamentos dos sacerdotes, o que impossibilitaria a aplicação da pena de morte.


Jesus no Budismo

O budismo, como vimos, influenciou a ideologia de Jesus, a ponto dos ensinamentos de Jesus serem comparados aos de Siddhartha. Sob o ponto de vista budista Jesus é um ser Iluminado, um Buda, assim como ele é tido como o Cristo (ungido por Deus) pelos cristãos. Algumas correntes budistas defendem que ele estudou com monges durante sua juventude, construindo a base para os seus futuros ensinamentos, dada a similaridade da sua mensagem com a do Budismo. Outro fato que os budistas defendem é o caráter meditativo de Jesus que, assim como Buda, se retirava frequentemente para meditar. Este ato tão simples é uma característica das religiões orientais, visto que no Judaísmo geralmente as pessoas iam para a sinagoga orar a Deus. Segundo os budistas, assim como Siddhartha, numa dessas meditações Jesus atingiu a Iluminação, tornando-se um Buda, após vencer o demônio (o opositor) no deserto.

Como vimos, existem representações de um Buda como sendo o "Bom Pastor". Como o Buda histórico não possui nenhuma ligação simbólica neste sentido, é certeza que os monges budistas cultuavam Jesus como um Buda. Algumas escolas budistas estudam os ensinamentos de Jesus juntamente com os de Buda, visto que a meta de ambos era remover os obstáculos da vida espiritual dos homens. Atualmente tenta-se encontrar um ponto em comum entre a espiritualidade cristã e a budista, o que está gerando uma campanha ecumênica pelo mundo.


Jesus no Hinduísmo

No Hinduísmo Jesus tem uma visão mais ampla dentro da doutrina. Várias correntes hindus aceitam a figura de Jesus como sendo um Avatar, encarnação de Deus na Terra. Similar ao que acreditam os budistas, para os hindus Jesus também foi um iniciado na filosofia Védica. Para muitos hindus Jesus é uma das encarnações de Vishnu, a segunda pessoa da Trindade hinduísta. Especialmente para o movimento Hare Krishna - devido ao seu caráter ecumênico - Jesus é uma manifestação direta de Krishna (Deus), que envia um mensageiro para cada povo, afim de que nenhuma parte do mundo fique sem a Sua mensagem. Assim, Jesus é um dos enviados de Krishna para cumprir Sua mensagem pelo mundo. Uma das provas alegadas disso é o caráter biográfico muito próximo entre Krishna e Jesus, e principalmente os ensinamentos, que muitas vezes possuem trechos idênticos.

Vários aspectos e simbolismos da crença cristã, como o batismo nas águas do Jordão feito por João Batista e Jesus, segundos os hindus, é prova que tanto João quanto Jesus praticavam rituais de purificação védicos, visto que no Judaísmo este tipo de ritual não existia, sendo ele característico da religião hindu, onde até hoje vários peregrinos vão se banhar nas águas do Ganges para se purificar. Outras características, como rituais do fogo, o caráter trinitário do cristianismo e o dogma da encarnação são indícios de que o cristianismo foi influenciado pelo hinduísmo.


Jesus na Fé Bahá’í

A Fé Bahá’í é uma religião ecumênica que surgiu na Pérsia, atual Irã, em 1844. Criada pelo profeta Mírzá Husayn'Ali, intitulado o Bahá’u’lláh (Glória de Deus, em árabe) a Fé Bahá’í propunha ser a continuação do Islã, sendo que agora a nova religião traria uma nova mensagem: Deus é um só em todas as religiões, e Ele manda diversos mensageiros para todos os povos da Terra. Unindo os principais preceitos monoteístas do Islã com as mensagens das diversas religiões, a Fé Bahá’í tornou-se uma religião para os tempos modernos. Assim como o Islã, a Fé Bahá’í possui uma linhagem de profetas, entretanto, não mais se contendo à linhagem abraâmica do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, adotando outros profetas como Krishna, Buda, Zoroastro e o próprio Bahá’u’lláh. Entre esses profetas encontra-se Jesus, que na Fé Bahá’í é tido como um dos Messias enviados ao mundo por Deus.

Devido ao caráter ecumênico, vários textos sagrados, inclusive os evangelhos, são lidos nas Casas de Oração, o Templo Bahá’í. A Fé Bahá’í não possui clero nem rituais, sendo os encontros nas Casas de Oração momentos para a leitura e reflexão dos textos sagrados. Para os Bahá’ís apenas a união dos homens pode acabar com os conflitos no mundo, por isso a Fé Bahá’í propõe a unidade religiosa e política do mundo, para cumprir do desejo de Jesus de "que todos sejam um" (João 17:21).


Jesus no Jainismo

O Jainismo é uma religião dharmica que surgiu por volta do Séc. X a.C. na Índia, com Mahavira, o Conquistador. O curioso dessa religião é que a história de Mahavira se confunde com a de Buda, pois ambos foram ascetas que se libertaram das paixões do mundo. Praticamente todos os ensinamentos budistas são encontrados no Jainismo. O principal ensinamento jainista é a "não-violência", onde, segundo seus adeptos, todas as formas vivas devem ser respeitadas, pois todas têm sua origem divina. Engraçado que esta mesma "não-violência" jainista foi utilizada por Mahatma Gandhi durante a Independência da Índia, o que fez com que Gandhi seja tido como um herói jainista.

No Jainismo Jesus é tido como um Jina, palavra que em sânscrito significa "vencedor" ou "conquistador". Simbolicamente é o equivalente à palavra Buda e Cristo. Por sua doutrina e modo de vida, Jesus é tido como um "conquistador", visto que o próprio diz que "venceu o mundo" (João 16:33). Sob o ponto de vista hindu, budista e jainista, esta expressão significa que Jesus se libertou das paixões do mundo. Tornou-se um "Conquistador", um "Iluminado".


Jesus no Caodaísmo

Caodaísmo ou Cao Dai é uma religião sincrética que surgiu no Vietnã em 1926, por Ngo Van Chieu. Segundo o Caodaísmo só existe um Deus, cujo nome é Duk Cao Dai. Seu símbolo é um olho esquerdo inserido num triângulo. Segundo eles, Deus inspirou a criação das diversas religiões no mundo, mandando vários mensageiros. A missão do Caodaísmo é semelhante a da Fé Bahá’í, que é unir a humanidade numa única crença, e assim construir a paz mundial. Na doutrina caodaísta o envio dos mensageiros por Deus é divido em três estágios: Jesus foi enviado no segundo período junto com Buda, Confúcio e Lao-Tsé. Jesus é tido como um ser divino, embora esteja abaixo de Duk Cao Dai, assim como os demais mensageiros. Semelhante à Fé Bahá’í, no Caodaísmo a mensagem de Deus para os homens é uma só, embora seja explicada de modo diferente para os homens devido à sociedade a que estes mensageiros foram enviados. Por isso o conteúdo da mensagem de Jesus é igual em essência ao dos demais enviados.

Devido ao seu caráter ecumênico, o Caodaísmo inclui aspectos das demais religiões, assim como seus fundadores. No panteão caodaísta, junto com Jesus encontram-se Buda, Lao-Tsé, Confúcio e outros santos da tradição chinesa e vietnamita. Ao contrário da Fé Bahá’í, o Caodaísmo possui uma hierarquia religiosa semelhante a da Igreja Católica, com padres, bispos, cardeais e até papa, mas possuindo rituais próprios.


Jesus no Movimento Rastafári

O Movimento Rastafári foi criado na Jamaica por volta de 1930. Segundo eles, o imperador etíope Hailé Selassié é a reencarnação de Jesus. A origem divina de Selassié remota ao tempo de Salomão, visto que ele realmente era descendente do rei de Israel, e por fim de Davi. Salomão teve vários romances, inclusive com a famosa Rainha de Sabá, onde tiveram um filho chamado Menellek. Mais tarde a Rainha voltaria a sua terra de origem com seu filho, que por fim se tornaria o primeiro imperador etíope.

Nascido como Ras (Príncipe) Tafari (da Paz) Makonnen (nome da família de Selassié), ao assumir o trono o 225º imperador da Etiópia adotou o nome Hailé Selassié, que significa "O Poder da Trindade", em etíope.

Para os Rastas, Hailé Selassié é a encarnação de Jah (Deus). A palavra Jah vem do tetragrama sagrado YHWH, que está presente na palavra hebraica HalleluJah, que significa "Louvem ou Adorem a Deus". Dela veio a palavra "Aleluia". Para os Rastas Selassié cumpriu as profecias judaicas sobre a volta do Messias judeu, até mesmo sobre o 2° advento do Cristo, visto que ele é tido como a reencarnação de Jesus. Devido às suas origens judaicas, o Movimento Rastafári prega a volta dos descendentes de Davi à "Terra Prometida", que nesse caso é a África, visto que, segundo os rastas, os verdadeiros hebreus eram negros. Por esse motivo o Movimento Rastafári atrai muitos afrodescendentes, e tem crescido muito ultimamente devido ao gênero musical reggae. Curiosamente, a maioria dos semitas realmente são de pele escura, logo Jesus deveria ser no mínimo moreno (e não o clássico Jesus de pele clara, loiro e de olhos azuis que cansamos de ver pela nossa sociedade ocidental). Dentre os títulos de Selassié estão "Leão da Tribo de Judá", "Rei dos Reis" e "Senhor dos Senhores", os mesmos que Jesus recebeu.


Jesus no Movimento Nova Era

Derivante da Teosofia, o Movimento Nova Era tem suas bases no esoterismo e no gnosticism,o e propõe uma união entre a espiritualidade ocidental e oriental. Ele começou a partir dos anos 60, com a vinda das tradições orientais para o ocidente. Teve início nos EUA e Europa, ganhando mais força durante os anos 70 e 80 e se espalhando pelo mundo. Para os adeptos deste movimento, o mundo está vivendo o fim da Era de Peixes, que é a era de Jesus (o símbolo de Jesus era o peixe). Antes dessa era vieram a Era de Touro (Simbolo de Krishna), Áries (Símbolo de Moisés) e Libra (Símbolo de Siddhartha). Após a Era de Peixes iniciar-se-á a Era de Aquário, a chamada Nova Era. Para o movimento, Jesus é um dos Mestres espirituais do mundo, e está dentro de uma consciência maior, a qual chamam de Brahman (Deus, no hinduísmo). Assim, ele não é uma encarnação de Deus, mas uma emanação da consciência maior, que tem como missão levar a Luz aos homens.

Para a Nova Era Jesus é a encarnação de Krishna e de Siddhartha, visto que suas biografias, ensinamentos e a missão messiânica são compartilhados por ambos. E mais, com o fim da Era de Peixes - e iniciando a Era de Aquário - o mundo precisará de um novo Mestre, que nesse caso será o Cristo (Buda) Maitreya, que governará o mundo nessa nova era de consciência. Assim, ao acabar a Era de Peixes, Jesus deixará de ser o Cristo, e um novo surgirá, o tão esperado Messias pelos judeus, o Iman Mahdi para os muçulmanos, o Saoshyant zoroastra, o Maitreya budista e o Kalki hindu.


Jesus no Movimento Raeliano

Eram os deuses astronautas; pelo menos é o que diz o livro de Erich von Däniken e o Movimento Raeliano. Este último começou em 1974, quando o jornalista francês Claude Vorilhon recebeu a revelação dos Elohim (Aqueles que vêm do alto) de que nada mais eram que extraterrestres. Segundo Vorilhon, ele foi visitado por Jesus, Siddhartha, Moisés e Mohammed, que lhe revelaram que não existe nenhum deus, e que os deuses e profetas das religiões nada mais eram que extraterrestres vindos de outro planeta para orientar a humanidade como viverem neste mundo criado por eles. Para o Movimento Raeliano, a única explicação para os milagres das religiões é o fato de todos esses acontecimentos sobrenaturais serem obra de uma avançada tecnologia extraterrestre. Por exemplo, a fecundação de Maria seria uma inseminação artificial, os milagres de Jesus seriam devido à capacidade mental superior dos E.T.s e a ascensão aos céus seria a volta de Jesus à sua nave, afinal, não é todo dia que vemos alguém subindo aos céus em direção a uma nuvem luminosa.

Para Raël (nome que Vorilhon adotou após a revelação e de onde vem o nome do movimento) a humanidade é fruto da clonagem dos Elohim, por isso uma justificativa literal para o versículo "Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher." (Genesis - 1:27). Outro fato que justifica a visão de Deus como sendo um E.T. é o fator profecias e visões. No Antigo Testamento, o próprio Deus apresenta-se em sua glória movendo-se numa espécie de veículo de luz, no Livro de Ezequiel, o que contradiria a visão de Deus como onipresente, uma vez que o mesmo precisaria de um "automóvel", mais precisamente uma nave, segundo o Raelianismo. Para o movimento, a maioria das teorias ufológicas têm sua confirmação nas próprias escrituras. A própria visão do Apocalipse é uma das provas alegadas do fato de Jesus ser um extraterrestre, pois o mesmo diz que voltará entre as nuvens em sua glória e toda a Terra o virá no dia do Juízo. Isso nada mais seria do que uma invasão de naves na Terra, onde Jesus tornar-se-ia o governante do mundo, assim como foi dito nas profecias.


Como vimos, Jesus é visto pelas religiões desde um profeta, passando por um extraterrestre até um Deus encarnado. Mas um ponto comum entre todas essas visões muitas vezes antagônicas é o fato de sua missão ser comum, levar a Boa Nova aos homens, que, por meio da sua mensagem - seja ela canônica ou apócrifa - torna o homem uma pessoa melhor, fazendo-o nascer de novo. Se Jesus é divino ninguém poderá provar, entretanto até hoje ele é um mistério para todos, o que faz com que existam diversas interpretações acerca de sua pessoa. Por mais que as pessoas tentem definir uma imagem exclusiva do judeu mais importante da história, a vontade do mesmo é que cada um encontre e acolha sua mensagem da maneira que fará a pessoa se sentir melhor. Seja tendo-o como um profeta, seja como um mestre espiritual, seja como um Deus.

Direto do Saindo da Matrix.

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Deus no budismo

O Buda, muito longe de negar que havia um Absoluto, garantiu que aqueles que alcançassem a iluminação deveriam se fundir com Isso e assim perceber a Realidade em oposição ao mundo das ilusões e dos fenômenos. O que ele realmente disse, contudo, que tem levado pessoas a acusarem-no de ateísmo, é que não temos nenhum meio de expressar qualquer coisa sobre Isso. Palavras pertencem ao universo dos fenômenos e são aplicáveis apenas à ele. Quando alguém vai além dos fenômenos, em direção à Realidade, palavras precisam obrigatoriamente ser deixadas para trás. Nenhum ensinamento, nenhuma descrição, nenhum pensamento podem expressar o Absoluto -- mas podemos experimentá-lo, se suficientemente evoluídos.


O que Buda combateu foram as numerosas tentativas que foram feitas, estão sendo feitas e continuarão a ser feitas, de dizer que o Absoluto é isso ou aquilo, um Deus pessoal, um Criador, um Deus-Pai. Ele insistentemente recusou responder qualquer pergunta sobre o assunto porque isso era inexprimível em palavras. Ele não iria permitir a seus discípulos imaginar um Absoluto a semelhança deles, como é a tendência do homem em todo lugar. Ele assinalou sutilmente que é melhor se ajustar para tentar alcançar a iluminação e, assim, experimentar o Absoluto por si próprio, em vez de perder tempo tentando ineficazmente falar sobre isso, já que nada que possa ser dito sobre Isso pode ser verdade em absoluto. Palavras iriam inevitavelmente modificá-Lo e moldá-Lo, resultando no máximo em uma aproximação grosseira. Palavras podem ser verdadeiras apenas em certo nível, mas apenas nesse nível, portanto serão apenas verdades relativas. Assim, como um entendimento que só funciona por meio de palavras pode conter o que não pode ser colocado em palavras? Apenas pela experiência direta.

Se esse fato tivesse sido assimilado, às custas do orgulho humano, teria havido muito menos intolerância, violência e sofrimento cometidos em nome da religião, entre os vários adeptos de seus seus próprios credos; todos afirmando de maneira confiante e dogmática que somente eles receberam a Verdade e que todos os outros estão errados e devem ser salvos de sua ignorância voluntária.

retirado do Samsara Blog.

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domingo, 26 de julho de 2009

Nada a fazer, nenhum lugar para ir

Thich Nhat Hanh(também conhecido como Thay), um monge budista vietnamita, é quem responde a essas perguntas:



Pergunta: Eu me sinto culpado quando não estou ocupado. Está tudo bem em não fazer nada?

Thay: Na nossa sociedade, estamos inclinados a ver o “fazer nada” como algo negativo, mesmo maligno. Mas quando nos perdemos de nós mesmos em atividades, diminuímos a qualidade do nosso ser. Fazemos a nós mesmos um desserviço. É importante nos preservar para manter o nosso frescor, bom humor, nossa alegria e compaixão. No budismo cultivamos a “falta de objetivos” e de fato na tradição budista a pessoa ideal, ou arhat ou um bodisatva, é uma pessoa sem negócios (businessless), alguém que não tem lugar para ir nem nada a fazer.

As pessoas deveriam aprender como apenas estar presente, não fazendo nada. Tente passar um dia fazendo nada; chamamos isto um “dia da preguiça”. Para muitos de nós que estamos acostumados a correr disto para aquilo, um dia da preguiça é na verdade um trabalho muito difícil! Não é fácil apenas estar. Se você pode estar feliz, relaxado e sorrindo quando não está fazendo nada, você é muito forte. Não fazer nada resulta em qualidade de ser, o que é muito importante. Portanto não fazer nada, na verdade é fazer algo. Por favor, escreva e exiba em sua casa: Não fazer nada é fazer algo.

Pergunta: Meu desejo por conquistas levou a muito sofrimento. Não importa o que eu faça, nunca sinto que é suficiente. Como posso fazer as pazes comigo mesmo?

Thay: A qualidade da sua ação depende da qualidade de seu ser. Suponha que você está desejoso por oferecer felicidade, fazer alguém feliz. Esta é uma coisa boa a fazer. Mas se você não está feliz, então não pode fazer isso. Para fazer outra pessoa feliz, você tem que estar feliz. Portanto há uma ligação entre fazer e ser. Se você não for bem sucedido em ser, não pode ser bem sucedido no fazer. Se você não sente que está no caminho certo, a felicidade não será possível. Isto é verdade para todos; se você não sabe onde está indo, você sofre. É muito importante perceber seu caminho e ver seu verdadeiro modo de ser.

Felicidade significa sentir que você está no verdadeiro caminho a cada momento. Não precisa chegar ao fim do caminho para ser feliz. O caminho correto se refere a modos muito concretos de você viver sua vida a cada momento. No budismo, falamos do Nobre Caminho Óctuplo: Visão Correta, Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Plena Correta e Concentração Correta. É possível para nós viver o Nobre Caminho Óctuplo a cada momento de nossas vidas diárias. Isto não apenas nos faz feliz, mas também àqueles ao nosso redor. Se você praticar o caminho, se tornará muito agradável, com muito frescor e muito compassivo.

Olhe para a árvore no quintal da frente. A árvore parece não estar fazendo nada. Fica parada ali, vigorosa, fresca e bonita e todos se beneficiam disto. Isto é um milagre do ser. Se uma árvore fosse menos que uma árvore, todos nós estaríamos com problemas. Mas se uma árvore é apenas uma árvore real, então há esperança e alegria. É por isso que se você puder ser você mesmo, isto já é uma ação. Ação é baseada na não-ação; ação é ser.

Há pessoas que fazem muito, mas que causam muitos problemas. Quanto mais tentam ajudar, mais problemas criam mesmo se têm as melhores intenções. Elas não são pacíficas, elas não são felizes. É melhor não tentar tão duramente, mas apenas “ser”. Então a paz e a compaixão serão possíveis em cada momento. Com base nisso, tudo que você disser ou fizer somente poderão ser úteis.

Se você pode fazer alguém sofrer menos, se você pode fazê-los felizes, se sentirá recompensado e receberá muita felicidade. Sentir que você é útil, que pode ajudar à sociedade: isto é felicidade. Quando você tem um caminho e você desfruta de cada passo no seu caminho, já é alguém, não precisa se tornar outra pessoa.

No budismo, temos a prática de apranihita, não ter objetivos. Se você põe em sua frente um objetivo, estará correndo por toda a sua vida e a felicidade nunca será possível. Felicidade é possível apenas quando você para de correr e desfruta do momento presente e de quem você é. Não é necessário ser outra pessoa; você já é uma maravilha da vida.

Pergunta: Quando estou fazendo uma coisa, minha mente vagueia para a próxima coisa ou volta para a última coisa. O que posso fazer para parar de sempre pensar sobre o caminho não tomado?

Quando você recebe muitas cartas, tem que decidir qual ler primeiro. Talvez haja duas cartas que você queira ler que perecem igualmente importantes. Mesmo assim, você tem que tomar uma decisão; tem que escolher uma para pegar primeiro. Depois de tomar a decisão fique com ela.

Quando você está cruzando uma ponte, não pense na ponte que você não está cruzando. Você no futuro terá que cruzá-la, mas somente depois de cruzar esta primeiro. Esta é nossa prática. O advogado pensa apenas no cliente que ele está no momento, não o cliente que está vindo em seguida. O médico apenas pensa no paciente a sua frente. Isto é concentração, plena atenção, uma mente que aponta para um só lugar. Se você não treinou sua capacidade de trazer toda a sua atenção para apenas um objeto, então haverá dispersão e perturbação. Você tem que estar cem por cento no aqui e agora.

Pergunta: Como posso incorporar a prática da plena atenção e viver no momento presente e ao mesmo tempo fazer planos para minha vida?

Thay: A prática da plena atenção não nos proíbe de planejar nosso futuro. É melhor não nos perdermos na incerteza e medo sobre o futuro, mas se estamos verdadeiramente estabelecidos no momento presente, podemos trazer o futuro para o aqui e agora e fazer planos.

Não estamos perdendo o momento presente quando pensamos sobre o futuro. Na verdade, o momento presente contém ambos o passado e o futuro. O único material de que o futuro é feito é do presente. Se você sabe como lidar com o presente da melhor maneira que pode, isto é tudo que pode fazer pelo futuro. Lidar com o momento presente com toda a sua atenção, toda sua inteligência já é construir o futuro.

Pergunta: Como podemos praticar consistentemente a plena consciência em um mundo que parece exigir corrida e pressa aonde quer que vamos? É possível ser plenamente consciente de estar ocupado e plenamente consciente de estar com pressa?

Thay: Iniciantes acham a plena atenção fácil quando eles a fazem lentamente. Mas se sua plena consciência é mais avançada, você pode fazer as coisas mais rapidamente. Apenas tenha certeza que você está sendo consciente. Você pode andar conscientemente, mas também pode correr conscientemente. É uma questão de planejamento. Deveria se tornar um hábito planejar de tal modo que tenhamos muito tempo para fazer cada coisa e não tenhamos que correr.

Suponha que você tenha que estar no aeroporto às 10 horas. Tente planejar de forma que você tenha muito tempo. Se possível adicione outra hora de forma a ter o prazer de fazer meditação caminhando no aeroporto. Quando dirigir, ao invés de pensar sobre seu destino, aproveite cada momento enquanto dirige. Quando fizer seu café da manhã, transforme a sua preparação em uma sessão de meditação, uma prática de plena consciência. Tente não pensar sobre o que você vai fazer depois do café da manhã. Aproveite cada momento e você trará alegria para toda a família. O segredo é habitar no aqui e agora e ser feliz a cada momento.

É claro, todos temos muito a fazer. Mesmo monges e monjas têm muitas coisas a fazer. Mas aprendemos a fazê-las com alegria e a não considerar as coisas que fazemos como trabalho. Esta é uma arte para ser cultivada e cada um de nós pode fazer isto. Se soubermos como consumir menos, não teremos que trabalhar tão duramente, não precisaremos de um salário maior e um carro mais caro para sermos felizes. Se soubermos a arte de viver de forma simples, então teremos muito mais tempo para viver nossas vidas de forma feliz e ajudar outras pessoas.

(Thich Nhat Hanh – do livro “Answers from the heart”)

(Traduzido por Leonardo Dobbin)
copiado do blog Sangha Virtual.

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sábado, 25 de julho de 2009

Oito versos que transformam a mente

Certa vez Geshe Chekawa, um monge tibetano que dominava inúmeros ensinamentos de diversas escolas, se deparou com uma tira de papel contendo um trecho de duas linhas e se maravilhou:


Ofereça o ganho e a vitória aos outros.
Tome a perda e a derrota para si mesmo.

Então, procurou até encontrar um mestre nessas instruções: Sharawa, discípulo de Geshe Langri Thangpa (mestre Kadampa do século XII, o autor da prática). Ao questioná-lo sobre a natureza daquelas linhas, teve a resposta:
Goste ou não desse ensinamento, você só pode dispensá-lo se não quiser alcançar o Estado de Buda.

Sharawa aceitou Chekawa como discípulo e o instruiu durante anos nessa prática que era a sua principal, denominada "Os Oito Versos que Transformam a Mente" (ou "Os Oito Versos de Langri Thangpa"). Após 6 anos de treinamento constante, o discípulo se realizou, eliminando todo e qualquer traço de egoísmo.

Os oito versos são:
1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:
1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado
Esse texto foi ensinado por S.S. o Dalai Lama no Brasil em abril de 2006, no templo Zu Lai, em Cotia (SP). Confira um ensinamento completo de S.S. sobre esses versos em seu site oficial.

Texto original do Samsara Blog.

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Fonte de Alegria Permanente

mais um do Samsara blog.

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Podemos ficar confusos e pensar que o outro é a fonte de nosso deleite – a pílula de amor a ser engolida. O amor mal compreendido torna-se apego obstinado. Acreditamos que o objeto de nosso amor é uma permanente fonte de alegria. Voltamos e continuamos querendo mais. Estamos confundindo amor com fixação, que traz sofrimento, e não alegria. A fonte de alegria permanente é nosso amor, não a outra pessoa.

Estar apaixonado por alguém em particular ajuda-nos a conhecer a alegria que emana quando cuidamos da felicidade dos outros. Pensamos em como deixar a pessoa feliz – o que lhe dar, o que dizer, o que fazer. Mas o verdadeiro amor não depende de nenhum objeto. O verdadeiro amor é a energia natural da mente estabilizada, um recurso inexaurível que cultivamos.


Sakyong Mipham Rinpoche (1962~)
"Governe seu Mundo"

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Novo Buda[update]

Olá Andarilhos!

Assisti um documentário que me deixou muito intrigado... o título é O Novo Buda(The Boy With Divine Powers).

Eis a sinopse:

Nepal, o berço do budismo, uma terra mágica e misteriosa, cuja cultura é dominada por lendas como o fabuloso Shangri-lá e o lendário homem das neves. Mas surge uma nova história. Uma história considerada um milagre moderno. Apenas possível por meio do poder espiritual do budismo. "É um fenômeno que dá muito orgulho e inspira as pessoas daqui". O garoto Ram Bonjom está meditando em uma floresta sem comer e beber a 10 meses. "Ele não está comendo nada e nem bebendo água". Muito sugerem que ele é um ser desprendido fisiológica e cognitivamente, que tem um poder tão grande sobre a mente, capaz de mudar para sempre a ciência moderna e a medicina. "Se ele está realmente sem comer e beber é difícil de explicar sobre o ponto de vista científico. Por isto temos de levar em conta a espiritualidade". Enquanto milhares de visitantes amontoam-se no no local, vamos explorar a verdade. " Ver uma coisa assim no Nepal, no meio desta multidão, isto é muito especial". Seria o segundo advento de Cristo, a reencarnação de Buda ou algo ainda mais sinistro, uma farsa na qual um garoto morre de fome em nome do lucro?

O vídeo está disponível no youtube, mas a qualidade está bem ruim...

[update] Achei alguns outros sites que falam sobre isso... verdade ou mentira? tire suas conclusões...
Prahlad Jani
O indiano sinistro que está sem comer nem beber há mais de 60 anos

Fica a dica. Até mais!

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Iluminação

Não importa o que fizer, faça-o com profunda percepção, pois então até mesmo as pequenas coisas se tornarão sagradas. Dessa forma, cozinhar ou limpar a casa serão sagrados, serão uma oração. Não importa o que você esteja fazendo, o que importa é como você o está fazendo.

Você pode limpar o chão como um robô, como um dispositivo mecânico: é preciso limpar o chão, então você o limpa. Mas, se fizer isso de forma automática, estará deixando de ver algo de belo. Limpar o chão pode ser uma grande experiência, mas você a terá perdido. O chão ficará limpo, mas algo que poderia ter acontecido dentro de você não aconteceu. Se você estivesse perceptivo, alerta, não apenas o chão mas também você teria sentido uma limpeza profunda.

Limpe o chão em estado de total percepção, iluminado pela percepção. Trabalhe ou sente-se ou ande, mas uma coisa precisa ser continuamente desenvolvida: faça com que um número cada vez maior de momentos em sua vida sejam iluminados pela percepção. Deixe que a chama da percepção brilhe em cada momento, em cada ato.

Atingir a iluminação será o efeito cumulativo disso. O efeito cumulativo, todos os momentos juntos, todas as pequenas luzes juntas tornam-se uma grande fonte de luz.

-Osho, o livro da transformação

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Fim da inimizade

"Abusaram de mim e me machucaram,
Me derrotaram e roubaram".
Naqueles que abrigam tais pensamentos,
A inimizade nunca termina.

"Abusaram de mim e me machucaram,
Me derrotaram e roubaram".
Naqueles que não abrigam tais pensamentos,
A inimizade será apaziguada.

Porque a inimizade não pode jamais
Ter um fim através da inimizade.
A não-inimizade paralisa a inimizade --
Esta é uma verdade além do tempo.
Buda Shakyamuni
Dhammapada 1 | 3-5

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Retirado do Samsara blog.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

As Quatro Nobre Verdades

Um dos principais textos do budismo. Retirado do blog Teoria da Conspiração do Wordpress.

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Assim foi dito por Budha o iluminado.
Por não compreender e não realizar quatro coisas, que eu, da mesma forma que vocês, tivemos que vagar tão longamente através desta roda dos renascimentos.
E quais são essas quatro coisas?

1- A nobre verdade do sofrimento.
2- A nobre verdade da causa do sofrimento.
3- A nobre verdade da extinção da causa do sofrimento.
4- A nobre verdade da senda que leva à extinção do sofrimento.

Enquanto o absoluto e verdadeiro conhecimento e introspecção relativos a estas Quatro Nobres Verdades não estavam perfeitamente claros em mim, eu não estava certo que tinha atingido a suprema iluminação que é insuperável em todo o mundo.

Mas tão logo o absoluto e verdadeiro conhecimento e introspecção relativos a estas Quatro Nobres Verdades se tornaram perfeitamente claros em mim, surgiu a certeza que tinha atingido esta suprema iluminação insuperável.

Então descobri essa profunda verdade, tão difícil de perceber, difícil de compreender, tranqüilizante e sublime à qual não é para ser ganho por mero intelecto e é visível apenas ao sábio.

1ª - A Nobre Verdade do Sofrimento
Nascimento é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento, tristeza, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimento. Não ter o que se deseja é sofrimento, separação do que se deseja é sofrimento, união com o que não se deseja é sofrimento. Saudade é sofrimento, ser escravo de um passado já morto e um futuro inexistente é sofrimento. Ser presa fácil de estímulos exteriores de toda ordem é sofrimento. Quando sopram os ventos da sensibilidade nós vamos cegamente a sensualidade, quando sopram os ventos da raiva nós vamos cegamente a violência, quando sopram os ventos da agitação e preocupação nós vamos cegamente em direção a ansiedade e angústia, quando sopram os ventos da dúvida nós vamos cegamente ao ceticismo.

Todo sofrimento, assim como toda a nossa felicidade está na própria mente, pois nenhum inimigo nos poderá fazer tão infelizes quanto nossa mente mal dirigida. Também nenhum parente, seja pai, mãe ou irmão nos tornará tão felizes quanto nossa própria mente bem dirigida.

Em resumo, os cinco agregados da existência quando objetos de apego, isto é, quando tomados como “eu” e “meu” são sofrimento.

Os cinco agregados da existência são: corpo, sensações, percepções, consciência e formações mentais.

2ª - A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento
Qual é a causa do sofrimento? é a ignorância, o desejo, o apego, a cobiça, o ódio, e a ilusão. Mas aonde o desejo e a ignorância surgem? aonde estão suas raízes? Aonde houver coisas deliciosas e agradáveis lá o desejo e ignorância surgem, lá eles têm as suas raízes.

Visão, audição, olfato, paladar, tato e a mente são deliciosos e agradáveis lá o desejo e a ignorância surgem, lá eles fincam raízes. Quando percebemos um objeto pela visão, se o objeto é agradável a pessoa é atraída e se é desagradável a pessoa o repele.

Então, seja qual for a sensação que experimente, se a pessoa o aprova e acha agradável então a sensação condiciona o desejo, e desejando a pessoa se apega ao objeto desejado. Então o desejo condiciona o apego. Quando a pessoa se apega ela irá agir pela palavra ou pelo o corpo para possuir o objeto desejado.

Deste modo, então o apego condiciona a ação (Karma) ou processo de vir a ser. O processo de vir a ser (ou existência) condiciona o nascimento.

Dependendo do nascimento, a decadência e a morte, tristeza e lamentação dor e pesar, ressentimento e desespero.
Assim surge essa imensa massa de sofrimento.

3ª - A Nobre Verdade da Extinção da Causa do Sofrimento
O que é a extinção do sofrimento? É a completa erradicação e desaparecimento da ignorância, desejo, apego, cobiça, ódio e ilusão e em conseqüência o abandono e libertação da ilusão do EU e do MEU.
Com a extinção da ignorância o desejo é extinguido.
Pela cessação do desejo cessa-se o apego.
Pela cessação do apego o processo de vir a ser ou as ações (Karma) é extinguido.
Pela cessação de vir a ser ou existência, o nascimento é extinguido.
Pela cessação do nascimento, a decadência e a morte, tristeza e a lamentação, dor pesar, ressentimento e desespero serão extinguidos.
Assim se dá a extinção de toda esta massa se sofrimento.

Nirvana
Isso verdadeiramente é a paz, isto é, o mais elevado a saber o fim de todas as formações Kármicas, o abandono de todo substrato de ressarcimento, o fim da ignorância, do desejo, e apego, da cobiça, ódio e ilusão.
Encantado pelo desejo, irado pela cobiça, vendado pela ilusão, derrotado com a mente enganada, o homem, pela ignorância provoca a sua própria ruína, a ruína de outros e a ruína de ambos, e ele experimentará sofrimento mental e pesar. Mas se a ignorância e desejo e apego, cobiça, ódio, e ilusão forem abandonados, o homem não mais provocará a sua própria ruína, a ruína de outros, nem a ruína de ambos, não mais experimentando sofrimento mental e pesar.
Assim é o Nirvana, imediato, visível nesta vida, convidado, atrativo e compreensível apenas pelo sábio.
A extinção completa, total e global, sem deixar qualquer vestígio da ignorância, desejo e apego, cobiça, ódio e ilusão, isto verdadeiramente é chamado de NIBBANA.

O Arahat (Monge) - O Santo Sábio e Iluminado
E para o discípulo assim livre, em cujo coração reina a paz não há nada mais a ser acrescentado àquilo que ele já faz, nem nada mais resta para ele a fazer. Como uma sólida massa de rocha. Formas visuais ou sons, odores ou gostos, contatos de qualquer natureza, o desejável ou o indesejável, nada poderá fazê-lo entrar em vibração, inabalável está a sua mente. Foi ganha a libertação.
E ele que já atingiu o supremo equilíbrio e equanimidade à todas as coisas deste mundo, não é mais perturbado por nada, seja o que for. Ele está livre da raiva, da tristeza e da saudade, ele passou além do nascimento, decadência e morte.

4ª - Nobre Verdade da Senda que Leva à Extinção do Sofrimento
Os dois extremos e a Senda do meio. Os prazeres sensuais, o comum, o vulgar, o mundano, sem qualquer sentido para o progresso na Senda espiritual. Ou:
A mortificação do corpo que é dolorosa e também sem vantagem qualquer para a vida santa.
Ambos estes extremos, o iluminado evitou e descobriu a Senda Média, a qual propícia qualquer um ver e a compreender, leva à paz, ao discernimento, a iluminação e ao NIBBANA.
E qual é a Senda do Meio? É a nobre Senda Óctupla:

1) Palavra Correta
2) Ação Correta
3) Meio de Vida Correto (Moralidade)
4) Esforço Correto
5) Plena Atenção Correta
6) Concentração Correta (Concentração)
7) Correta Compreensão
8) Correto Pensamento (Sabedoria)

Livre da dor e tortura é esta Senda, livre de lamentos e sofrimento uma Senda perfeita. Verdadeiramente, como esta Senda não existe outra para a purificação dos seres. Se você seguir está Senda porá fim ao sofrimento. Mas cada um tem que lutar por si próprio, o iluminado apenas aponta o caminho.

1) Palavra Correta
a) Abster-se de mentir e de Caluniar.
b) Abster-se de levar e de trazer conversas que causem desarmonia e discórdia.
c) Abster-se de palavras pesadas, duras e ofensivas.
d) Abster-se de tagarelice e de conversas frívolas.

2) Ação correta
a) Abster-se de destruir os seres vivo, isto é, não matar.
b) Abster-se de pegar para nós aquilo que não nos pertence, isto é, não roubar.
c) Abster-se de errôneo comportamento sexual ( infidelidade, adultério etc.)
d) Abster-se de tóxicos e de bebidas alcoólicas que entorpeçam a mente.

3) Meio de vida correto
Abster-se de profissões como:
a) caçador, pescador, abatedor;
b) comércio de armas e drogas, bebidas, cigarros etc.
O meio de vida deve ser honesto, para o bem comum e nunca prejudicando e explorando nosso semelhante.

4) Esforço Correto
a) O Esforço de evitar o mal.
b) O Esforço de superar o mal.
c) O Esforço de fazer surgir o bem.
d) O Esforço de manter e de desenvolver o bem.

5) Plena Atenção Correta
a) Atenção sobre o corpo
b) Atenção sobre as sensações .
c) Atenção sobre os estados de consciência.
d) Atenção sobre os objetos da mente.

6) Concentração Correta
A concentração é a mente unipolarizada, isto é: mente voltada para um único ponto.
Existem cinco obstáculos para o desenvolvimento da concentração:
l - Sensualidade (luxúria)
II - Raiva, ira, ódio.
III - Sonolência, preguiça e torpor.
IV - Agitação e preocupação.
V - Dúvida

7) Correta Compreensão
a) Compreender as quatros nobres verdades.
b) Compreender as três características da existência.
c) Compreender as ações meritórias e a raiz dessas ações.
d) Compreender as ações demeritórias e a raiz dessas ações.

a) As Quatros Nobres Verdades
O homem comum, desprovido de correta compreensão, é ignorante dos ensinamentos dos homens Santos e não é treinado na nobre doutrina. Seu coração é possuído e dominado pela:

1) Ilusão da existência de um eu;
2) Pela dúvida;
3) Pelo apego e meras regras e rituais;
4) Pelo desejo sensual;
5) Pela raiva.

E como livrar-se destas coisas ele não sabe! Não sabendo o que é digno de considerações e o que é indigno (para libertar-se desses cinco grilhões) ele acaba considerando justamente o que é indigno e não o que é digno.

E pela ignorância ele se preocupa e reflete dessa maneira:
O mundo é eterno ou temporal? Finito ou infinito? O princípio vital é idêntico ao corpo ou alguma coisa diferente? O Buda continuará depois a morte ou não? Eu existi no passado ou não existi numa vida passada? O que eu fui na vida passada? Quem eu fui na vida passada? Eu existirei numa vida futura ou eu não existirei numa vida futura? Eu sou ou eu não sou? O que sou eu? Como sou eu? Este ser, de onde ele veio, para onde vai? “Sábias” Considerações!

O instruído e nobre discípulo entretanto, que sabe os ensinamentos dos homens Santos e é bem treinado na nobre doutrina; compreende o que é digno de consideração e o que é indigno. E assim sabendo, ele considera o digno e não o indigno.

O que é sofrimento, ele sabiamente considera.
O que é a origem do sofrimento, ele sabiamente considera.
O que é a extinção do sofrimento, ele sabiamente considera.
Qual é a Senda que leva a extinção do sofrimento, ele sabiamente considera.

b) As três características da existência são:

1) Impermanência
2) Insatisfatoriedade
3) Impessoalidade

O corpo é impermanente, as sensações, são impermanentes, as percepções são impermanentes, as formas mentais são impermanentes, e as consciências são impermanentes. E tudo o que é impermanente é sujeito ao sofrimento e mudança, não se pode corretamente dizer:

isto pertence a mim,
isto sou eu,
isto é o meu ego.

Assim como a bolha d’água é oca, vazia e insubstanciável, da mesma forma todos os fenômenos psíco-físicos são também ocos, vazios e sem um ego.

c) As ações Meritórias são de três tipos:
1) Pelo corpo, o mesmo que ação correta.
2) Pelo o verbo, o mesmo que Palavra Correta.
3) Pela mente, o mesmo que Pensamento Correto.

Quais são as raízes das Ações Meritórias:
1) Renúncia
2) Desapego
3) Boa vontade
4) Benevolência
5) Generosidade
6) Moralidade
7) Meditação
8) Reverência, gratidão e respeito
9) Serviço inegoísta ao próximo
10) Transferência de mérito
11) Alegrar-se com o sucesso e o mérito de outros.
12) Ouvir o Dhamma (Doutrina)
13) Expor o Dhamma
14) Ter corretos pontos de vista e correta compreensão
15) Gratidão
16) Respeito.

As Ações Demeritórias são também de três tipos:
1) Pelo corpo: destruir seres vivos roubar e explorar, adultério, ingerir tóxicos e bebidas alcoólicas.
2) Pelo verbo: mentir e caluniar, levar e trazer conversas, palavras pesadas, duras e ofensivas, tagarelice e conversas frívolas.
3) Pela mente: cobiça-egoísmo, vaidade, má vontade, ódio e raiva, errôneos pontos de vista

As raízes das Ações Demeritórias são:
Cobiça, ódio, ilusão ou ignorância, egoísmo. .

8) Pensamento Correto

São todos os pensamentos baseados na renúncia e desapego, tais como:
Boa vontade, benevolência e amor.
Bondade e camaradagem.
Correta compreensão e corretos pontos de vista.

Todo pensamento que for motivado pela Cobiça, Ódio, ilusão e ignorância, egoísmo, vaidade, inveja etc. Serão necessariamente pensamentos incorretos.

Que todos os seres que estejam em sofrimento, possam se libertar do seu sofrimento.
Que todos os seres que estejam inseguros e com medo, possam se libertar de sua insegurança e do seu temor.
Que todos os seres que estejam tristes e em lamento, passam se libertar de sua tristeza e da sua lamentação.

Pela realização dessas afirmações que todos os seres, sem nenhuma exceção, possam se sentir verdadeiramente muito bem e muito felizes.

Por Gassho

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Fim dos Inimigos

Se você matar por raiva,
Seus inimigos nunca acabarão;
Se você matar a raiva,
Isso matará seus inimigos de uma vez por todas.
(Os Cem Versos)

Dilgo Khyentse Rinpoche
"The heart of Compassion"

Retirado do blog Samsara.

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