terça-feira, 18 de março de 2008

A batalha de Arjuna

Aceitar as consequências de sermos quem somos

O Bhaghavad Gita, Um dos textos mais antigos sobre religião, relata a guerra vivida por Arjuna – um jovem príncipe da casta dos guerreiros que está para herdar o trono. Porém seus parentes também querem seu trono; e de tal cobiça nasceu uma guerra. Ao ver todos seus parentes no campo de batalha, Arjuna se entristece e diz à Krishna: “Ó Senhor, qual é o sentido de lutar essa guerra, se vejo todos os meus entes queridos contra mim? Mesmo se vencer essa batalha, com quem compartilharei a vitória? Não vejo sentido em lutar uma guerra em que todos os que amo morrem – antes preferiria deixar que me derrotassem.”

Krishna, que é o Senhor Supremo encarnado na terra, diz ao seu discípulo: “Ó Arjuna! Pare de choramingar! Enche-te de coragem contra teus inimigos e seja quem verdadeiramente você é!” Aparentemente, não se trata de uma história muito espiritual – mas existe uma interpretação dessa passagem que dá um sentido completamente novo à história.

Diz-se que, nessa história, os parentes de Arjuna representam nossos sentidos e nossas emoções. Eles querem tomar o controle sobre nós. porém Arjuna não quer enfrentar a batalha por que são seus parentes – não queremos subjugar esses três aspectos de nós mesmos porque eles fazem parte de nós, porque gostamos deles, nos apegamos a eles. Quando somos dominados, nossas emoções nos levam à esmo assim como um pequeno barco no meio de uma tempestade. E isso causa muito sofrimento a nós mesmos.

“Enche-te de coragem contra teus inimigos!” não devemos suprimir nossas emoções nem nossos sentidos. Não é disso que se trata; mas antes apenas dominá-los em vez de deixar que eles nos dominem. Assim poderemos ver mais claramente quem realmente somos, livres de apego dos sentidos e emoções, para então vivê-los de forma consciente.

Essa pequena passagem ainda traz mais um significado. “Seja quem verdadeiramente você é!”. Arjuna era da casta dos guerreiros, mas pela sua tristeza não queria lutar. O mesmo acontece conosco muitas vezes: existe algo em que acreditamos muito, mas levados por razões alheias acabamos compactuando com coisas que não acreditamos, ou deixamos nossos ideais para trás porque achamos não termos forças para realizá-los. Acredito que temos que ser condizentes com aquilo que acreditamos interiormente e aceitar as consequências disso, mesmo que possamos ser prejudicados, ameaçados ou excluídos. Afinal, o que vale mais a pena na vida que a verdade?

Que Arjuna possa vencer o trono em nós.

É isso aí Thiagão, estou postando para você enquanto as coisas estão se estrutuando =]
Belo texto.
Primeiro de muitos!!!

Um comentário:

  1. Muito legal sua explicacao sobre a batalha, agora sim ficou claro para mim, eu copiei mas queria dar os creditos para o autor. Como se chama? Obrigado.
    Facebook: Marcio Murilo Tesserolli
    ma.mu.tess@gmail.com

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