segunda-feira, 9 de março de 2009

Mente em Movimento

Dois homens estavam discutindo sobre uma bandeira que tremulava ao vento:
"A bandeira está se movendo." declarou o primeiro.
"Não; na verdade, é o vento que está se movendo." contestou o segundo.
Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e os interrompeu dizendo: "Nem a bandeira nem o vento estão se movendo," disse, "É a MENTE que se move."

Essa parábola, apesar de curta, esconde um significado muito grande. Quando o mestre diz que é a mente que se move, ele está dizendo que na verdade os fenômenos do mundo externo só acontecem no mundo interno, dentro da gente. Isso é um pouco estranho, mas pare para pensar: quando a bandeira se move, nós captamos a imagem e ela chega ao nosso cérebro. Mas essa parábola quer dizer mais do que isso.

Para ajudar na explicação, vou citar outra história muito interessante: Quando a Índia finalmente conseguiu sua independência da Inglaterra, um repórter perguntou à Mahatma Gandhi: “você perdoa os ingleses por tudo que eles fizeram?”. Ora, os ingleses tornaram a vida dos indianos, os nativos que estavam lá antes deles, um inferno. Eram escravos na própria terra, e eles sofreram muito até aquele momento. O próprio Gandhi foi preso inúmeras vezes por seus protestos pacíficos. Mas a resposta de Ghandhi foi: “Eu não os perdôo, porque não há nada a ser perdoado. Eles nunca me ofenderam.” A ação da ofensa é auto-causada: quando uma pessoa lhe insulta, você se ofende. A semântica da frase diz tudo: perante o insulto, nós escolhemos se vamos ficar ofendidos ou não. Depende de como interpretamos o que está acontecendo; A mente se ofende. As coisas, na verdade, estão todas acontecendo dentro de nós, dentro de nossa mente – nada fora dela.
É um conceito difícil de apreender, mas faz muito sentido. Todas nossas emoções, sentimentos e reações acontecem a partir do que estamos interpretando das informações que estamos recebendo. A raiva, a paixão, o amor... é como entendemos o mundo. E esse entendimento é o modo como “construímos” o nosso mundo. O homem não é imparcial; tudo o que percebemos passa automaticamente pelo crivo das nossas experiências e crenças. Assim, uma pessoa que acha a vida na cidade grande uma coisa maravilhosa, vai ficar maravilhada quando for visitar uma metrópole; do mesmo modo, uma pessoa que acha que a cidade grande é ruim, vai achar horrível. É uma via de duas mãos: a informação entra, o juízo de valor sai.

Desse modo, estamos constantemente julgando as coisas em nossa mente, impondo nossas visões e preconceitos sobre as coisas do mundo que apenas são. É a mente que se move. É por isso que os mestres dizem que a maior parte dos problemas do homem são causados por ele mesmo. Porque não existe mais ninguém para causá-los – apenas ele mesmo. É comum do ser humano culpar as coisas externas pelos seus problemas, é uma forma de escapar. Mas isso é apenas uma mentira, uma ilusão – só você mesmo pode fazer algo para se melhorar, e melhorar o mundo que se vive. É claro, precisamos de ajuda dos outros – mas novamente, é nossa mente que vai escolher se abrir para um conselho ou rejeitá-lo se não for conveniente.
Isso nos leva à reflexão final: Até que ponto estamos ofendendo a nós mesmos? Até que ponto estamos nos auto-infringindo sofrimento? E até que ponto estamos colocando a culpa disso em coisas e pessoas à nossa volta?
“As above, so below”

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terça-feira, 3 de março de 2009

O Guerreiro salta para dentro do abismo


Salte para dentro do abismo. Arrisque tudo e se lance nele.

Mesmo que tudo ao redor pareça indicar que você vai morrer, é preciso correr esse risco. Na última hora, a mão do Onipotente o salvará. Você passará fome e frio. Sentirá espasmos de horror enquanto seu corpo cair. Mas não hesite. Se hesitar, vai morrer.
Confie que nada vai lhe acontecer. E suave será a sua aterrissagem.

Um momento de escolha. É sobre isso que fala o texto acima. O momento quando o caminho termina, e só podemos escolher parar ou pular. E nunca devemos parar, parar na vida é atrasar, deixar as coisas passarem não pode ser uma opção, apesar de momentos de reflexão serem importantes para a tomada das decisões, nunca se tem certeza absoluta de nada.

Então, quando escolher, escolha com o coração e a alma, eles são o seu guia na sua vida, nunca os abandone pela racionalidade. O racional pode te ajudar nas coisas racionais, o mundo das coisas é racional, as coisas metódicas, periódicas e somáveis, no 1+1=2 da vida. Mas a felicidade não é somável, tampouco racional. A felicidade é um estado espiritual. Não existe nada no mundo material que atinja as coisas do mundo espiritual, mas um único homem que atinge plenitude no mundo espiritual, é capaz de modificar o mundo material por completo, e assim funcionou com grandes almas, como Jesus, que momentos antes de ser traído por Judas sentiu medo, mas mesmo assim entregou seu destino nas mãos de Deus e deu a sua vida por amor a nós. Mesmo ainda, quando Sidarta Gautama na calada da noite, sem se despedir de ninguém por ter medo de não conseguir partir se o fizesse, abandonou seu palácio, sua família e sua vida de príncipe para viver como mendigo e passar por várias provações. Eles entre outros, seguiram seus corações e saltaram nos abismos. Tiveram medo, sofreram, mas venceram.
Portanto, se arrisque, salte. Confie no seu coração. Porque o sofrimento é inevitável na vida, mas a felicidade só pode ser alcançada sendo verdadeiro consigo mesmo.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Manual de instruções para a vida

Um vídeo muito legal que eu vi pelo Saindo da Matrix:




Para habilitar legendas em português:

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Inventário da Normalidade

mais um texto muito bom do Teoria da Conspiração:

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Resolvi fazer uma pesquisa com meus amigos sobre aquilo que a sociedade considera um comportamento normal. A seguir, listo alguns destes absurdos com que convivemos todos os dias, porque a sociedade considera normal:

1] qualquer coisa que nos faça esquecer nossa verdadeira identidade e nossos sonhos, e nos faça apenas trabalhar para produzir e reproduzir.

2] ter regras para uma guerra (Convenção de Genebra).

3] gastar anos fazendo uma universidade, para depois não conseguir trabalho.

4] trabalhar de nove da manhã as cinco da tarde em algo que não dá o menor prazer, desde que em 30 anos a pessoa consiga aposentar-se.

5] Aposentar-se, descobrir que já não tem mais energia para desfrutar a vida, e morrer em poucos anos, de tédio.

6] Uso de botox.

7] Procurar ser bem-sucedido financeiramente, ao invés de buscar a felicidade.

8] Ridicularizar quem busca a felicidade ao invés do dinheiro, chamando-o de “pessoa sem ambição”.

9] Comparar objetos como carros, casas, roupas, e definir a vida em função destas comparações, ao invés de tentar realmente saber a verdadeira razão de estar vivo.

10] Não conversar com estranhos. Falar mal do vizinho.

11] Sempre achar que os pais estão certos.

12] Casar, ter filhos, continuar juntos mesmo que o amor tenha acabado, alegando que é para o bem da criança (que parece não estar assistindo as constantes brigas).

12ª] Criticar todo mundo que tenta ser diferente.

14] Acordar com um despertador histérico ao lado da cama.

15] Acreditar em absolutamente tudo que está impresso.

16] Usar um pedaço de pano colorido amarrado no pescoço, sem qualquer função aparente, mas que atende pelo pomposo nome de “gravata”.

17] Nunca ser direto nas perguntas, mesmo que a outra pessoa entenda o que se está querendo saber.

18] Manter um sorriso nos lábios quando se está morrendo de vontade de chorar. E ter piedade de todos os que demonstram seus próprios sentimentos.

19] Achar que arte vale uma fortuna, ou que não vale absolutamente nada.

20] Sempre desprezar aquilo que foi conseguido com facilidade, porque não houve o “sacrifício necessário”, e, portanto não deve ter as qualidades requeridas.

21] Seguir a moda, mesmo que tudo pareça ridículo e desconfortável.

22] Estar convencido que toda pessoa famosa tem toneladas de dinheiro acumulado.

23] Investir muito na beleza exterior, e se preocupar pouco com a beleza interior.

24] Usar todos os meios possíveis para mostrar que, embora seja uma pessoa normal, está infinitamente acima dos outros seres humanos.

25] Em um meio de transporte público, jamais olhar diretamente nos olhos de uma pessoa, caso contrário isso pode ser interpretado como um sinal de sedução.

26] Quando entrar no elevador, manter o corpo voltado para a porta de saída, e fingir que é a única pessoa lá dentro, por mais lotado que esteja.

27] Jamais rir alto em um restaurante, por melhor que seja a história.

28] No hemisfério norte, usar sempre a roupa combinando com a estação do ano; braços de fora na primavera (por mais frio que esteja) e casaco de lã no outono (por mais quente que esteja).

29] No hemisfério sul, encher a árvore de natal de algodão, mesmo que o inverno nada tenha a ver com o nascimento de Cristo.

30] À medida que for ficando mais velho, achar-se dono de toda a sabedoria do mundo, embora nem sempre tenha vivido o suficiente para saber o que está errado.

31] Ir a um chá de caridade e achar que com isso já colaborou o suficiente para acabar com as desigualdades sociais do mundo.

32] Comer três vezes por dia, mesmo sem fome.

33] Acreditar que os outros sempre são melhores em tudo: são mais bonitos, mais capazes, mais ricos, mais inteligentes. É muito arriscado aventurar-se além dos próprios limites, melhor não fazer nada.

34] Usar o carro como uma maneira de sentir-se poderoso e dominar o mundo.

35] Dizer impropérios no trânsito.

36] Achar que tudo que seu filho faz de errado é culpa das companhias que ele escolheu.

37] Casar-se com a primeira pessoa que lhe oferecer uma posição social. O amor pode esperar.

38] Dizer sempre “eu tentei”, mesmo que não tenha tentado absolutamente nada.

39] Deixar para viver as coisas mais interessantes da vida quando já não tiver mais forças para tal.

40] Evitar a depressão com doses diárias e maciças de programas de TV.

41] Acreditar que é possível estar seguro de tudo que conquistou.

42] Achar que mulheres não gostam de futebol, e que homens não gostam de decoração.

43] Culpar o governo por tudo de ruim que acontece.

44] Estar convencido de que ser uma pessoa boa, decente, respeitosa significa que os outros vão pensar que é fraca, vulnerável, e facilmente manipulável.

45] Estar igualmente convencido que a agressividade e a descortesia no trato com os outros é que são sinônimos de uma personalidade poderosa.

46] Ter medo de fibroscopia (homens) e parto (mulheres).

47] Finalmente: achar que a sua religião é a única dona da verdade absoluta, a mais importante, a melhor, e que todos os outros seres humanos neste imenso planeta que acreditam em qualquer outra manifestação de Deus estão condenados ao fogo do inferno

Texto do meu irmão de algumas ordens Paulo Coelho, que estranhamente é elogiado pelos críticos em todos os países do mundo, menos no Brasil.

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Significado

Poder-se-ia comparar o homem a alguém que viva no Grand Canyon, mas que seja tão míope que não enxerga nada além de cinco metros de distância. Ou uma pessoa que viva numa catedral, envolvido porém por uma espécie de cortina – como que no interior do cubículo de um adivinho – que o acompanha para onde quer que caminhe.
A cortina é o “dia-a-dia”. É um estado mental, não uma realidade objetiva. Deve-se considerar a mente como algo parecido com o radar dos morcegos: de alguma forma conseguimos nos estender para fora e “sentir” a realidade à nossa volta. Na simplicidade do cotidiano, porém, o
homem não precisa “estender-se” para muito longe. E acaba adquirindo o hábito de não fazê-lo.

(…)

O homem precisa desenvolver a consciência positiva. Ele atingiu sua posição atual na escala da evolução graças ao seu poder de voltar a mente para o microscópio e concentrar-se em coisas pequenas. Mas isso o tornou vítima do pequeno e do negativo. A história humana é a história da infantilidade, de brigas bobas por pequenos motivos. Como a dona de casa em Under Milk Wood, que diz “Antes de deixar o sol entrar, cuide que ele limpe os pés”, escravizamo-nos à nossa espantosa capacidade de dedicação às minúcias. Essa mulher obviamente não desfruta do fato de viver. Está presa a seu próprio negativismo. Como todos nós.

(…)

Os mistérios de iniciação constituíam algo diferente. Seu objetivo era elevar a mente acima da banalidade cotidiana, colocando-a numa firme contemplação do caráter milagroso da natureza. O método(da iniciação da religião de Numa) consistia em fazer com que o aspirante se identificasse com a história de Deméter e Coré ou Orfeu, do mesmo modo que um bom pregador pode conseguir que seus fiéis se identifiquem com a paixão de Jesus numa Sexta-feira Santa. A história de Deméter é dramática o bastante para esse fim: sua filha foi raptada e violentada pelo deus do mundo dos mortos, quando colhia rosas, açafrão, jacintos e violetas nos campos. Durante a longa busca que empreendeu, Deméter fez-se passar por mortal e tornou-se ama no palácio de Ática, em Elêusis.(Ela tencionava fazer do recém-nascido filho do rei um ser imortal, mas foi surpreendida pela rainha no momento em que estava prestes a colocar o menino no fogo, sendo forçada a revelar sua verdadeira identidade.) Sua dor torna estéril a terra, até que Plutão permite que Coré volte à terra uma vez por ano. A lenda explica as estações do ano, e os iniciados tomavam-na ao pé-da-letra. Os mistérios começavam com um jejum ritualístico, seguido de uma vigília que atravessava a noite toda, durante a qual os candidatos à iniciação permaneciam sentados e cobertos por véus, em bancos forrados com pele de carneiro. Na vigília, meditavam sobre o rapto de Coré e a tristeza de Deméter, a longa busca empreendida pela mãe, e assim por diante. Nessa parte oral oral da iniciação, conseguia-se tudo isso por uma representação sagrada e por “sermões”. Em seguida vinham as “provas”, que por certo eram terrificantes e até mesmo verdadeiramente perigosas. Por fim, o clímax da representação: a tristeza de Deméter no templo de Elêusis, os campos áridos sem vegetação, a devolução da filha, com o que ela faz crescer de uma só vez um milharal pronto para a colheita. Nesse ponto da celebração, apresenta-se aos adoradores uma espiga de milho maduro. E, como nos rituais dos xamãs, é provável que o efeito dramático fosse esmagador. Os adoradores olham para fora, para os campos de milho que balançavam com o vento, para os pomares de frutos maduros, e é como revelação. A partir desse ponto, o nome de Deméter ou Coré provoca arrepios no couro cabeludo.

(…)

Sempre que a poesia, a música ou uma paisagem me toca profundamente, percebo que vivo num universo de significados que merece de minha parte algo melhor do que a lassidão mesquinha em que vivo habitualmente. E de súbito compreendo a verdadeira fatalidade que representa esse contentamento sem entusiasmo que parece tão inofensivo quanto a trepadeira numa árvore. Ele sistematicamente me rouba a vida, apropriando-se de minha vitalidade e de meu sentido de finalidade. Preciso concentrar-me com clareza nesse imenso significado à minha volta, e me recusar a esquecê-lo; devo rejeitar com desprezo todos os significados menores que procuram atrair para eles minha capacidade de concentração.

Retirado do livro O Oculto, de Colin Wilson.

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